Bolsa Acções do BCP fecham a cair mais de 11% após aumento de capital

Acções do BCP fecham a cair mais de 11% após aumento de capital

O banco vai aumentar o seu capital em 1,33 mil milhões de euros, vendendo as novas acções a 9,4 cêntimos. Um valor muito abaixo da actual cotação. A travar a queda esteve o compromisso da Fosun, explicam os analistas.
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As acções do BCP fecharam a descer 11,34% para 92,31 cêntimos, tendo chegado a deslizar mais de 16% para 87 cêntimos. Em termos de capitalização bolsista, o BCP vale agora 731 milhões de euros, um montante que mais do que duplicará uma vez concluído o aumento de capital.

 
A liquidez foi também acima do habitual, tendo sido transaccionadas 14,64 milhões de acções, bem acima de média diária de seis meses (3 milhões de títulos).

A determinar a queda das acções esteve o anúncio de aumento de capital feito na segunda-feira, 9 de Janeiro. O aumento de capital é de 1,33 mil milhões de euros, com as novas acções a serem vendidas a 9,4 cêntimos. Este valor representa um desconto de 90% face à cotação de fecho das acções na última sessão e de 38,6% face ao valor teórico. Esta operação servirá para reembolsar a última tranche de ajuda estatal, no valor de 700 milhões de euros, bem como reforçar os rácios de solvabilidade. 

A Fosun, através da "holding" Chiado, vai investir um máximo de 531 milhões de euros para reforçar a sua posição no banco liderado por Nuno Amado para elevar para 30% a sua posição no BCP.

 

Seria de esperar que as acções do BCP reflectissem este anúncio, com a queda a ser travada pelo compromisso assumido pela Fosun, que vai subscrever uma parcela relevante deste aumento de capital, realçam os analistas.

 

"A cotação do BCP deve continuar pressionada, apesar de existir o compromisso da Fosun, subscrever mais 40% do montante do aumento de capital, para ficar com 30% do banco. Alguns accionistas estão à espera da transacção dos direitos, pelo que até essa data a cotação deve manter-se pressionada", explica Pedro Lino, presidente executivo da Dif Brokers, em declarações ao Negócios.

 

Por outro lado, a travar a queda das acções esteve "o facto de a Fosun ter dado uma ordem irrevogável, a não ser em condições excepcionais". Ou seja, "existe um accionista que tem interesse em reforçar a sua posição, e para isso terá de subscrever as acções remanescentes ou comprar direitos em bolsa", acrescenta o mesmo responsável.

 

"As expectativas são de que o título continue a desvalorizar, até se perceber se a Sonangol irá ou não reforçar a sua posição. Caso não reforce, então a cotação poderá reagir em forte baixa", adianta Pedro Lino.

 

"A evolução da cotação do BCP fez precisamente o que era esperado em cenários de anúncios de recapitalização por via de aumento de capital e em linha com o que se verificou na restante Europa em situações equiparáveis de recapitalização", realça João Queiroz, director de negociação do Banco Carregosa. "Se não se soubesse desde logo que a Fosun ia acompanhar a operação, a queda seria mais acentuada", acrescenta.

 

Ainda assim, João Queiroz salienta que "a evolução da cotação no médio/longo prazo, depende, sobretudo, dos fundamentais", com a apresentação de resultados, agendada para 6 de Fevereiro, a ser um foco que vai atrair as atenções dos investidores que estarão "atentos ao desempenho da carteira de crédito e à evolução das provisões e imparidades".

 

"Até que as expectativas se cristalizem, a cotação deverá apresentar uma crescente e elevada volatilidade. Como anunciado, o capital fresco não vai ficar no BCP e os investidores estão a gerir a incerteza sobre o destino destes novos recursos: se para provisões de crédito, se para reembolsar os CoCo’s ao Estado ou ambos (provisões e devolver capital ao Estado)", adianta o responsável do Banco Carregosa.

 

Já o Haitong emitiu uma nota de análise onde diz que o fecho de posições curtas pode travar queda do BCP. "O facto de o BCE ter aprovado o reembolso dos CoCos é na nossa perspectiva positivo, pois pode significar que o BCE acredita que este aumento de capital é suficiente, em conjunto com os lucros antes de provisões que deverá atingir em 2017, para o BCP resolver os seus problemas de capital", refere o Haitong.

 

O banco de investimento destaca dois factores que podem ajudar no curto prazo a travar a queda das acções, compensando a forte diluição que resulta do aumento de capital, bem como do elevado desconto a que as acções vão ser vendidas.

Somando o encaixe com o aumento de capital (1,33 mil milhões de euros), à capitalização bolsista de 9 de Janeiro (983,5 milhões de euros), o BCP apresenta um valor de mercado pós-aumento de capital de 2,315 mil milhões de euros. Dividindo este valor pelo número de acções após a conclusão da operação (15.113.989.952), o valor teórico da acção do BCP pós aumento de capital e destaque dos direitos é de 0,1532 euros.

 

Tendo em conta a actual cotação do BCP (fecho de segunda-feira, 9 de Janeiro), cada direito do BCP apresenta um valor teórico de 0,888 euros. Este valor corresponde à diferença entre a cotação actual e a cotação teórica pós destaque dos direitos. Pode também ser encontrado multiplicando 15 (número de acções que cada direito permite subscrever) pela diferença entre o preço teórico da acção pós destaque dos direitos (0,1532 euros) e o preço do aumento de capital (0,094 euros).

 

Contudo, este valor teórico dos direitos é nesta altura apenas uma referência, pois vai variar em função da evolução da cotação das acções.

Tendo em conta a cotação das acções nesta terça-feira (0,9231 euros), o valor teórico dos direitos já é de 0,777 euros. Apesar de já ter anunciado a realização do aumento de capital, não há ainda datas para as várias etapas do aumento de capital. Quando a operação arrancar oficialmente haverá lugar ao destaque dos direitos, sendo que nessa altura as acções vão sofrer um ajuste técnico em bolsa.

(notícia actualizada com cotação de fecho)

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 




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