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BCP com boas notícias na operação e más no capital

As acções do BCP estão a ganhar mais de 3% depois de o banco ter apresentado prejuízos de 218 milhões. O produto bancário merece aplausos ao passo que a descida dos rácios levanta dúvidas.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2015 às 09:10
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"Tendência positiva no campo operacional contrabalançada por rácios de capital mais baixos". É esta a análise feita pelas casas de investimento do BPI e do Caixa BI à apresentação de resultados do Banco Comercial Português relativos ao ano passado, em que os prejuízos ascenderam a 217,9 milhões de euros.

 

"É nosso entendimento que os resultados recorrentes do BCP no quarto trimestre de 2014 confirmaram as tendências positivas já evidenciadas pelo banco desde o final de 2013. Continua a verificar-se uma recuperação das receitas base do banco (com destaque para o aumento da margem financeira), o que associado a uma diminuição do montante de novas entradas em crédito "malparado" permite perspectivar uma redução do custo com imparidades para crédito em 2015", comenta o analista André Rodrigues na nota de "research" do Caixa BI.

 

O produto bancário do banco liderado por Nuno Amado (na foto) somou 29,6% em 2014, beneficiando da melhoria de quase 32% da margem financeira (diferença entre juros cobrados em créditos e juros pagos em depósitos e que serve de base ao negócio bancário). As principais tendências, reitera André Rodrigues, "confirmam a recuperação da margem financeira num contexto de desaceleração das novas entradas em incumprimento".

 

Contudo, a casa de investimento da CGD sublinha que as imparidades para crédito superaram o estimado, numa "diferença largamente explicada por uma provisão de 50,1 milhões de euros associada ao impacto da desvalorização em bolsa de colaterais em empréstimos concedidos", neste caso, a queda das acções da PT SGPS. Sem este impacto, os resultados do banco (recorrentes) sairiam de terreno positivo.

 

"Vemos uma tendência operacional positiva, particularmente na margem financeira, nas comissões e na qualidade dos activos", escreve também Carlos Peixoto. O analista do BPI Equity Research fala, contudo, no lado negativo dos resultados: "a queda dos rácios de capital é o desapontamento do trimestre".

 

O rácio de capital CET 1 ficou em 8,9% em Dezembro de 2014, abaixo dos 10,2% verificados em Setembro de 2014. Numa base transitória (até à entrada em vigor da nova regulação), o rácio ficou em 12%, oito décimas abaixo do valor do terceiro trimestre.

 

A alteração dos pressupostos do fundo de pensões foi o principal motivo avançado para esta descida do rácio, também comentada negativamente pelo CaixaBI. Aliás, a unidade de investimento, que tem um preço-alvo de 14 cêntimos para o BCP e uma recomendação de "comprar", acredita que esta variação poderá ter um impacto negativo no valor em bolsa do banco. O BPI tem a sua avaliação do BCP sob revisão.

 

Depois de arrancarem o dia a cair, as acções do BCP seguem neste momento a somar 3,24% para os 6,7 cêntimos. 

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 

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