Construção BCP e câmbios arrastam Teixeira Duarte para prejuízos de 36 milhões

BCP e câmbios arrastam Teixeira Duarte para prejuízos de 36 milhões

A Teixeira Duarte registou resultados líquidos negativos de 35,8 milhões de euros no primeiro semestre deste ano devido a diferenças de câmbio e ao impacto da perda por imparidade na participação no BCP.
BCP e câmbios arrastam Teixeira Duarte para prejuízos de 36 milhões
Maria João Babo 29 de agosto de 2016 às 17:25

A Teixeira Duarte registou no primeiro semestre deste ano um resultado líquido negativo em 35,8 milhões de euros, o que compara com lucros de 24 milhões obtidos no período homólogo de 2015.

 

Na divulgação dos resultados semestrais, o grupo assinada a "diminuição significativa em relação a igual período de 2015, não obstante o melhor desempenho operacional das empresas do grupo face ao primeiro semestre do ano anterior".

 

Como explica em comunicado enviado pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), para estes resultados contribuíram fortemente dois factores: a variação das diferenças de câmbio, as quais em Junho de 2016 foram negativas no valor de 23,7 milhões de euros enquanto no período homólogo de 2015 tinham sido positivas em 19,1 milhões; e o impacto negativo, líquido de impostos diferidos, no montante de 14,8 milhões de euros da perda por imparidade na participação no BCP registada nos primeiros seis meses deste ano.

O volume de negócios do grupo atingiu no semestre os 570,1 milhões de euros, menos 16,7% face ao período homólogo de 2015, ou seja, uma quebra de mais de 114 milhões.

Em Portugal, a actividade recuou apenas 7,1% para 95,7 milhões de euros, tendo, desta forma, o mercado nacional elevado o seu peso para o volume de negócios do grupo de 15% para 16,8%.

Já os outros mercados, que representavam 85% da actividade em Junho do ano passado, desceram globalmente 18,4%, passando a contribuir com 83,2% do volume de negócios, o que demonstra "a exposição do grupo a contextos económicos actualmente mais adversos", é referido.

Na Venezuela, o grupo registou uma quebra de 56% do volume de negócios, em Angola de 34% e no Brasil de 12%.


Pelo contrário, na Argélia registou um incremento de 17,4% e em Moçambique de 71,2%.


Por sectores de actividade, o volume de negócios recuou 9,7% na construção, 58% no automóvel, 11,3% no imobiliário, 32,3% na hotelaria, 5,9% na distribuição e 0,4% na energia. Apenas as concessões e serviços registaram uma variação positiva no volume de negócios, de 4,4%.

No semestre, o EBITDA do grupo aumentou 16,5% em ternos homólogos para 96,4 milhões de euros.

Os resultados financeiros foram negativos em 72,3 milhões de euros, quando no final do primeiro semestre de 2015 haviam sido negativos em cerca de 18 milhões.

 

O endividamento líquido registou um ligeiro aumento de 0,4% em relação ao final do ano passado, tendo-se fixado, no final de Junho em 1.152 milhões de euros.

O número médio de trabalhadores diminuiu neste período 11,8% para 11.777, acompanhando a diminuição da actividade nestes primeiros seis meses de 2016, refere o grupo.

A carteira de encomendas do grupo para o sector de construção diminuiu 14,4% face ao final de 2015, atingindo os 1.911 milhões de euros.

Na apresentação dos resultados do semestre, a Teixeira Duarte refere ainda que em 2016 prevê atingir proveitos operacionais de cerca de 1.300 milhões de euros, que "corresponde a uma redução da actividade provocada pelas dificuldades de acesso a divisas em mercados externos", explica.

 

"Tal realidade implica uma adequada redução das estruturas, o que, associado à dificuldade de ampliação de financiamentos em Portugal, conduz ao ajustamento da capacidade produtiva do grupo", refere no documento.

A Teixeira Duarte fechou a sessão desta segunda-feira a recuar 0,43% para 0,233 euros por título.



(Notícia actualizada às 17:50)




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI