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BCP e donos da Valadares "lavam roupa suja" em tribunal

A assembleia de credores da Fábrica de Cerâmica de Valadares ficou marcada por uma troca de acusações entre os mandatários dos donos da empresa e do BCP, dono de 80% dos créditos da empresa, por causa de alegadas "transacções financeiras pouco claras".

Rui Neves ruineves@negocios.pt 12 de Novembro de 2012 às 14:49
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Esta manhã, a meio da sessão, já depois de apresentado o relatório do gestor judicial e de a administração ter requerido o seu afastamento da gestão da empresa, passando essa função para o administrador de insolvência, o maior credor da Valadares lança a “bomba”: suspeitas sobre alegadas “transacções financeiras pouco claras” efectuadas pelos donos e administradores da produtora de sanitários, considerando que o plano de recuperação elaborado “não tem credibilidade”, pelo que requeria a formulação de um outro pelo administrador de insolvência.

“O BCP sempre teve conhecimento do que se passou na Valadares. A existir alguma questão sobre a administração da empresa, nos últimos anos, foi com o conhecimento do BCP, pois tinha de ter autorização do seu maior credor”, reagiu o mandatário da administração da empresa.

“O BCP jamais esteve na administração da Valadares”, retorquiu o mandatário do BCP, alegando que, através do relatório do administrador de insolvência, obteve “informação mais completa do que o BCP algum dia chegou a ter” sobre a empresa.

Antes, o administrador de insolvência, Rui castro Lima, tinha já confirmado a existência de “questões muito sérias e complexas relativamente ao passado [da Valadares] e que terão de ficar esclarecidas”.

No seu relatório, Lima alerta para “a impossibilidade de, até ao momento, proceder a uma efectiva e completa análise da contabilidade e/ou realidade histórica da insolvente”, fazendo referências a uma série de relacionamentos não esclarecidos entre várias sociedades do grupo Valadares.

No seu requerimento, o BCP refere “a necessidade de ser efectuada peritagem contabilística às contas da sociedade insolvente”, relatando a existência, entre outras matérias incandescentes, de “relações comerciais e transacções financeiras pouco claras entre a insolvente e empresas especialmente relacionadas com a mesma, o que poderá ter provocado prejuízos para o activo da insolvente”.

Os credores da Valadares aprovaram a proposta de manutenção, por ora, da actividade da empresa e inerente suspensão da sua liquidação, e a concessão de 60 dias para a apresentação de um plano de insolvência. Há já um plano, elaborado pela administração da empresa, tendo sido aprovado, por requerimento do BCP nesse sentido, a elaboração de um “novo plano de insolvência ou de liquidação controlada” pelo administrador de insolvência, com Rui Castro Lima a assumir, a partir de agora, a gestão da Valadares.

Detentora de cerca de 80% dos 95,4 milhões de euros de créditos da Valadares, o BCP tem nas mãos o poder de aprovar ou chumbar a viabilização da empresa.

Última nota: Rui Castro Lima confirmou que existe um grupo económico internacional que se manifestou interessado em analisar a compra da Valadares.
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