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BCP pagou 5,3 mil milhões por Sotto Mayor e BancoMello/Império (act)

O Banco Comercial Português (BCP) pagou 5,3 mil milhões de euros em «goodwill» e custos de reestruturação e ajustamento do «fair value» com a aquisição do Sotto Mayor e Banco Mello/Império, marcas que vão desaparecer, noticia o Jornal de Negócios.

Negócios negocios@negocios.pt 21 de Agosto de 2003 às 13:12
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O Banco Comercial Português (BCP) pagou 5,3 mil milhões de euros em «goodwill» e custos de reestruturação e ajustamento do «fair value» com a aquisição do Sotto Mayor e Banco Mello/Império, marcas que vão desaparecer, noticia o Jornal de Negócios.

O banco comercial português (BCP) pagou, em 2002, 5.312 milhões de euros em «goodwill» e custos de reestruturação e ajustamentos de «fair value» com a aquisição do Sotto Mayor, do Banco Mello e Império, bem como da parte do capital que ainda não detinha no Atlântico.

Estas marcas vão desaparecer, no âmbito do novo modelo comercial do BCP, mas segundo adiantou ao Jornal de Negócios fonte oficial do banco, aquele montante não se traduz, agora, num desperdício: «Não se trata de dinheiro deitado à rua, já que se pagou o negócio que está agora no grupo, que cresceu desde a aquisição dos bancos e que vai continuar a crescer», acrescentou. Ainda que admita que a marca foi a componente que mais pesou, na altura, para cálculo do «goodwill», o mesmo responsável sublinhou que, não se compraram logotipos, mas bases de clientes.

«E os clientes continuarão no grupo, após a unificação das redes comerciais [SottoMayor, NovaRede e Atlântico]», sublinhou. Para além da componente marca, pesou ainda no «goodwill» a distribuição geográfica da rede bancária.

Grande parte do «goodwill» pago pelo BCP está associado à aquisição dos bancos SottoMayor e Atlântico (a maioria do capital da instituição já tinha sido adquirida em 1986), já que o negócio associado à marca Mello, que foi, aliás, extinta logo após a sua aquisição, representava pouco no conjunto das três instituições.

Por sua vez, os custos de reestruturação e ajustamentos de «fair value» -decorrentes de redução de pessoal, reformas antecipadas, encerramento de balcões e revisão do valor de créditos, garantia e activos - somaram, em 2000, 1,195 mil milhões de euros.

Segundo adiantou, porém, a mesma fonte, o impacto das aquisições na situação líquida do BCP foi reduzido. Isto porque, sublinhou, as aquisições do SottoMayor, do Banco Mello/ Império e do Atlântico foram, maioritariamente, realizadas por troca de acções. Ou seja, os accionistas daquelas três instituições, que puderam optar por receber numerário, ou em alternativa, novas acções BCP, escolheram na sua quase totalidade a segunda modalidade.

«O BCP pagou a quase totalidade das aquisições com a emissão de acções próprias, que foram para efeitos de troca valorizadas ao valor de mercado, que era bastante superior ao seu valor contabilístico e, portanto, o BCP realizou importantes prémios de emissão, que praticamente compensaram o ‘goodwill’ e custos de reestruturação das aquisições», frisou a mesma fonte do BCP. A situação líquida manteve-se estável no ano 2000, apesar das aquisições realizadas.

Diferenciação assenta no perfil do cliente

A estratégia multi-marca deixou, segundo fonte oficial do BCP, de ser o principal factor diferenciador e de criação de valor para o grupo. Na sua opinião, «com o tempo, entrou algum ruído na pirâmide». Por exemplo, um cliente típico da banca de relação não andaria quilómetros até encontrar uma agência BCP e acabaria por ser atendido no primeiro balcão Nova Rede que encontrasse. Ou seja, a equação serviço diferenciado igual a marcas diferenciadas deixou de ser tão clara.

Refutando as críticas de que o BCP perde, ou consegue apenas ganhos imediatos, ao fazer desaparecer aquilo que sempre o distinguiu perante a concorrência – a estratégia multi-marca –, esta fonte sublinha que «a oferta continuará a ser diferenciada, mas assentará agora no perfil do cliente».

Em declarações recentes ao Jornal de Negócios, Filipe Pinhal, vice-presidente do BCP, responsável pelo desenho do novo modelo comercial do grupo, adiantou que, já em 2004, se deverá assistir à duplicação das actuais taxas de crescimento dos recursos captados pelo conjunto da rede. Já a partir de Setembro, o grupo BCP começará a implementar o novo modelo, que assenta na unificação das marcas comerciais. No final de 2004, a marca das 1.070 agências do grupo já será BCP. Na gaveta ficam a Nova Rede, criada de raiz, o SottoMayor e o Atlântico.

Por Sílvia de Oliveira

Nota de Direcção: Os comentários ao «lead» da manchete de hoje do Jornal de Negócios sugerem alguma confusão de conceitos, originada pela síntese não totalmente esclarecedora do conteúdo da notícia publicada na página quatro. Por isso, a Direcção decidiu publicar o referido texto na íntegra no Negocios.pt.

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