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BCP receia perda de clientes com queda de cotações

O BCP receia perder parte dos 5,1% dos seus clientes que detêm acções do banco, com a queda das cotações em Bolsa, o que constitui um dos riscos realçados pela instituição no Prospecto do aumento de capital hoje publicado.

Negócios negocios@negocios.pt 07 de Março de 2003 às 14:38
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O Banco Comercial Portugal (BCP) receia perder parte dos 5,1% dos seus clientes que detêm acções do banco, com a queda das cotações em Bolsa, o que constitui um dos riscos realçados pela instituição no Prospecto do aumento de capital hoje publicado.

No final de 2002, 5,1% dos clientes do grupo BCP detinha acções do banco, sendo que «um número substancial destes detêm igualmente valores convertíveis», acrescentou o documento.

«A existir depreciação da cotação dos títulos emitidos pelo BCP ela poderá suscitar insatisfação junto dos seus accionistas (clientes)», facto que poderá afectar os resultados do banco, alerta o BCP.

Como qualquer outro Prospecto de Oferta Pública de Subscrição, o banco liderado por Jardim Gonçalves reserva um capítulo respeitante aos factores de risco deste aumento de capital no valor de 931 milhões de euros.

Seguros e Pensões pode implicar mais custos para o BCP

A não concretização da compra da totalidade da Seguros e Pensões e a incapacidade de escolha de um parceiro que compre parte dessa posição, são factores que afectam a estratégia do banco de redução da sua exposição ao sector segurador que tem penalizado os resultados das instituições financeiras.

A aquisição da Seguros e Pensões poderá levar o banco a «ter que contribuir com capital para satisfazer as obrigações» da seguradora em relação a apólices de seguro com taxas de retorno garantidas que totalizavam os 224,2 milhões de euros no final de 2002.

A desaceleração da actividade económica nacional poderá, como seria de esperar, afectar a situação financeira do grupo, podendo «impedir a execução da estratégia de crescimento do grupo», destaca o documento.

O aumento da concorrência nas principais áreas de actividade do banco também poderá constituir um factor de risco para o grupo, salientando que «não há garantia de que consiga competir de forma eficaz nos mercado em que opera, nem de que consiga manter ou aumentar o seu nível de resultados», acrescentou a mesma fonte.

Iraque e economia também preocupam

Também as descidas de notação de risco podem afectar o comportamento das contas do banco, bem como as novas normas contabilísticas exigidas a partir de 2005 poderão afectar a posição de capital do BCP, segundo aquela fonte.

Os riscos de crédito, operacionais e tecnológicos surgem como outros factores de risco da maior instituição financeira privada nacional.

A queda dos mercados accionistas, além dos receios de perda de clientes, também podem condicionar a carteira de participações estratégicas do banco, que no final do ano, correspondiam a 1,53 mil milhões de euros ou 2,4% dos activos totais do grupo. Entre essas participações encontra-se a posição na Electricidade de Portugal (EDP) [EDP] e na Cimpor [CIMP].

Os negócios internacionais na Polónia e Grécia podem revestir-se de condicionantes para os resultados do banco, ainda que o banco reitera a estimativa da sua operação grega gere prejuízos nos próximos anos.

Uma eventual ofensiva militar no Iraque pode influenciar de forma negativa a actividade do banco.

Estes riscos advertidos pelo banco terão que ser tidos em conta nas decisões dos accionistas em acorrer ao aumento de capital do banco que permitirá financiar do crescimento orgânico e melhorar os rácios de capital do banco. Todavia, o banco sublinha que os «accionistas que não exerçam os seus direitos de subscrição sofrerão uma diluição significativa da sua percentagem de participação».

De acordo com a amplitude deste aumento de capital, os accionistas que tiverem 1% do capital, verão essa posição ser reduzida para cerca de 0,7%.

As acções do BCP cotavam inalteradas nos 1,58 euros.

Por Bárbara Leite

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