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Belenenses receberá renda anual de um milhão pela nova “cidade”

"Cidade Belenenses", uma parceria entre o Edge Group e o clube do Restelo, vai captar 66 milhões de investimento da "holding" de Pais do Amaral. Sócios deverão decidir dentro de um mês

Bruno Simão/Negócios
Isabel Aveiro ia@negocios.pt 10 de Maio de 2014 às 13:56
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A “holding” detida por Miguel Pais do Amaral e Luís Pinto Basto (The Edge Group) e o clube de futebol “Os Belenenses” querem assinar uma parceria de 50 anos da qual resultará uma nova “cidade” na zona do Restelo, em Lisboa.  

 

O projecto de desenvolvimento de requalificação dos terrenos envolventes ao estádio, numa área de 11 hectares, é designado por “Cidade Belenenses”, e foi este sábado apresentado aos sócios do clube.

 

De acordo com declarações de José Luís Pinto Basto, presidente executivo do Edge Group, ao Negócios, o grupo de investimento e o clube de futebol assinaram um memorando de entendimento em que o Belenenses entra no projecto com os terrenos – dos quais manterá a propriedade – e o o Edge Group com a “capacidade de desenvolvimento”.

 

“Nós não vamos ser operadores, vamos ser os promotores, e tentaremos encontrar os melhores operadores, especializados” para as diversas valências, disse. O investimento previsto, de 66 milhões de euros, será totalmente a cargo do grupo de Pais do Amaral e de Pinto Basto, “financiado por capitais próprios e alheios”, avançou este último. “Não vemos dificuldades” em obter financiamento da banca, acredita Pinto Basto, que justifica tal opinião pela própria “filosofia do projecto”, que assenta em operações de “muito longo prazo”.  

 

É que, caso o projecto vá para a frente, o tempo de concessão dos terrenos pelo Belenenses ao Edge Group é de 50 anos.

 

Residencial fica de fora dos planos

A proposta, acredita o CEO, “pode trazer uma nova vida ao Belenenses”, referindo-se não só ao retorno financeiro, como à utilização de várias infra-estruturas desportivas e da afluência de novos públicos à área, até agora sem aproveitamento.

 

“Não fomos nós que inventámos isto”, afirmou, referindo-se às “vontades demonstradas por várias direcções do clube” no passado para requalificar a zona, mas nunca consubstanciadas. O que faz a diferença neste caso, justifica, é que desta vez, além de falar com o clube, o Edge Group falou com a Câmara Municipal de Lisboa, “que deixou sempre muito claro que não admitia qualquer tipo de especulação” até porque, defende, nesta proposta para o Restelo “nunca foi pensada (por nós) a componente residencial”.

 

Assim, com valências na área da saúde, educação, e desporto e lazer, o Belenenses receberá “no mínimo, 840 mil euros de renda ao ano”, mas que num cenário “mais realista, poderá atingir entre um milhão a 1,1 milhões de euros”, contabiliza Pinto Basto.

 

A Câmara Municipal de Lisboa deixou sempre muito claro que não admitia qualquer tipo de especulação.
 
José Luís Pinto Basto

 

Para operar as várias infra-estruturas planeadas, que incluem desde clínica privada, até pólo universitário, passando por incubadora de novos negócios, o Edge Group tem já várias negociações com potenciais operadores. O grupo de investimento equaciona ficar de certeza com a gestão da área comercial (através do seu modelo de centros comerciais, o “Small”) e, “eventualmente”, com a gestão do “health center” (já que detém a operação dos ginásios “Fitness Hut”) e da incubadora de start-ups previstos.  

 

Apresentada que está a proposta de requalificação imobiliária, os passos seguintes passam pela auscultação dos sócios do clube de futebol, que deverão pronunciar-se e votar o projecto em assembleia-geral em Junho próximo.

 

Depois, a direcção do Edge Group prevê “um ano de licenciamentos camarários”, em que ocorrerão, em paralelo, “as negociações com os operadores”, porque o conceito desta proposta, explica Pinto Bastos, é de “build to suit”, ou seja, “construído à medida das necessidades dos operadores” que ficarão com cada uma das infra-estruturas a edificar.

 

Se tudo correr bem, e dentro do planeado pelo Edge Group e do Belenenses, “estimamos que em meados de 2015 se inicie a construção” da nova “cidade”, e um ano depois as primeiras valências estejam operacionais. Sendo que, sublinha, “a prioridade serão as infra-estruturas desportivas” a realizar.

 

 
O que vai ser a “Cidade Belenenses”?
A “Cidade Belenenses” apresentada esta sábado aos sócios do clube contempla três valências:

 

Saúde – para esta área está prevista uma clínica geral com várias especialidades; uma clínica de alto rendimento (com vocação desportiva); e uma residência assistida.

 

Educação – para esta envolvente, a proposta aos sócios do clube é de localização de um colégio, para primeiro e segundo ciclo; um pólo universitário (que ainda não está definido se será para licenciaturas ou pós-graduações); um centro de investigação e empreendedorismo (como incubadora de novos negócios e start-ups); e uma residência universitária e para desportistas.

 

Desporto e lazer – neste âmbito, está planeada a requalificação dos (dois) campos de treinos do Belenenses em campos oficiais; e um pavilhão multiusos (que além de ser polidesportivo terá ainda uma componente cultural). Está ainda no plano de negócios a existência de uma área comercial, com superfície para retalho alimentar, lojas de bairro e um “health center”.

 

 

 

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