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Bob Geldof acusa, BES demarca-se, Angola repudia

Bob Geldof afirmou hoje em Lisboa que Angola é um país "gerido por criminosos". As palavras do músico e activista, que se deslocou a Portugal para participar numa conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, organizada pelo Banco Espírito Santo (BES) e

Negócios 06 de Maio de 2008 às 21:23
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Bob Geldof afirmou hoje em Lisboa que Angola é um país "gerido por criminosos". As palavras do músico e activista, que se deslocou a Portugal para participar numa conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, organizada pelo Banco Espírito Santo (BES) e o jornal "Expresso", provocaram polémica e levaram mesmo o banco liderado por Ricardo Salgado a demarcar-se das afirmações de Bob Geldof, considerando-as "injuriosas", seguindo-se depois o "repúdio" da Embaixada de Angola em comunicado oficial ao princípio da noite.

O Grupo Espírito Santo (GES) tem interesses fortes no país, através do Banco Espírito Santo Angola e da Escom, uma empresa que opera em áreas tão diversas como a exploração de diamantes, aviação, imobiliário, pescas, obras públicas, saúde e agricultura. Por isso, as palavras do músico causaram um natural embaraço ao GES e podem mesmo causar constrangimentos nas relações entre o grupo e as autoridades angolanas.

"O Grupo Espírito Santo vem, formal e inequivocamente, declarar que é totalmente alheio e não se identifica com as afirmações injuriosas que Bob Geldof produziu esta tarde [ontem] num evento Expresso/BES relativamente ao Estado de Angola".

Geldof causou estupefacção junto da plateia quando virou o seu discurso para Angola e acusou o país de ser gerido por "criminosos". O músico, famoso como organizador do Live Aid e Live 8, sustentou a sua tese com os seguintes comentários. "As casas mais ricas do mundo estão [a ser construídas] na baía de Luanda, são mais caras do que em Chelsea e Park Lane", apontou, estabelecendo como comparação estes dois bairros luxuosos da capital inglesa.

Dois dos projectos imobiliários da Escom que estão a ser construídos no centro de Luanda, com vista para a baía, são destinados a escritórios e à classe alta que Geldof criticou. Para se ter uma ideia do peso da Escom em Angola, basta referir as parcerias com empresas angolanas, caso da diamantífera Endiama, e tem em curso projectos avaliados em 700 milhões de dólares (452,6 milhões de euros).

Sobre Portugal, o músico considerou que o país deve ser um parceiro de Angola devido ao seu passado e acrescentou que, tanto Portugal como Espanha e Itália, "serão os primeiros a sofrer o impacto de qualquer problema em África".

O activista criticou igualmente a posição actual dos países europeus face às nações africanas, especialmente nos acordos de parceria económica. "Lisboa é a cidade onde se realizou a cimeira UE-África, onde a Europa forçou os países africanos a assinar os acordos de parceria económica", acusou. "Onde os europeus disseram aos africanos: "ou aceitam este acordo ou não fazemos comércio convosco"". "Isto não é sustentável! Isto não é ter uma voz, é estupidez", frisou.

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