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BPI não teme concorrência com Santander Totta e assume ser maior que Novo Banco

O BPI tem o plano estratégico traçado e diz que está em crescimento em Portugal. Não teme, por isso, a concorrência com o Santander, um velho conhecido em Espanha. E vai dizendo que, se descontado o malparado, é maior que o Novo Banco.

Miguel Baltazar
Alexandra Machado amachado@negocios.pt 15 de Junho de 2019 às 14:39
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O BPI dá por terminado o processo de recapitalização e ajustes internos, estando agora a trabalhar na melhoria da eficiência, fazendo as receitas crescerem mais que os custos. O objetivo é um rácio de eficiência de 50%, conforme previsto no plano estratégico. Neste foi inscrito o objetivo de alcançar uma taxa de crescimento médio anual de 7% nos proveitos "core" e atingir um rácio de eficiência a rondar os 50% até 2021.

No final de 2018, o rácio de eficiência ("cost to income") estava nos 60,4%. 

Para conseguir crescer nas receitas a concorrência joga o seu papel. Mas Gonzalo Gortázar, presidente do CaixaBank e administrador do BPI, citado pelo Expansión num artigo publicado este fim-de-semana, a que o Negócios teve acesso, afirma: "temos de concorrer com o resto dos bancos e não nos assusta fazê-lo com o Santander Portugal, porque já o fazemos há anos em Espanha e não nos corre mal".

Pablo Forero, na mesma entrevista ao Expansión, acrescenta a forma de o fazer: "ganhar na atividade comercial", pretendendo aumentar o tempo dedicado à atividade comercial face às tarefas administrativas. E dá números.

"Hoje no BPI essa relação é de 60% face a 40%, mas no CaixaBank é de 80/20%", salienta Forero, explicando que para encurtar a distância os comerciais do banco têm tablets o que permite irem ao encontro do cliente, onde ele esteja. Além disso diz ter agora novos produtos e serviços financeiros.

O BPI diz ter 1,8 milhões de clientes, assumindo que em 2018 aumentou a quota nas empresas.

"A nossa quota de mercado global é de 11%", diz Forero, que prefere ver o BPI colocado na quarta posição dos rankings dos bancos em Portugal. É que nas estatísticas o BPI surge como quinto banco, atrás da Caixa, BCP, Santander e Novo Banco. Mas prefere ser visto como o quarto, já que "enquanto o malparado do BPI está nos 4%, os NPL do Novo Banco são 24% do seu balanço, o que significa que quando se libertar desse malparado, e tem de o fazer, será mais pequeno que o BPI".

Pablo Forero, o espanhol à frente do BPI, vai dizendo que "o BPI é um banco português com um acionista espanhol", salientando que o banco tem 5.000 trabalhadores e na alta direção do banco só há dois espanhóis: ele próprio e o financeiro Ignacio Álvarez-Rendueles. Noutros níveis do banco há outros seis espanhóis, assinala.

É também abordado o tema Angola. O BPI já não tem posição de controlo no BFA, e o BCE pediu à instituição nacional que reduza a sua posição. Mas o BFA tem dado retorno. "O retorno que o BPI tem obtido do seu investimento inicial é muito elevado", reconhece Gortázar, salientando a rentabilidade do banco angolano. Por isso, a estratégia do BPI passa por centrar-se em Portugal, ao mesmo tempo que, assumindo ser sem pressas, porque tem de o fazer, preparar a forma de reduzir essa posição. "O BCE não determinou nem data nem percentagem de capital que devemos libertar do banco angolano. Simplesmente disse para o fazermos", salienta Gortázar.

O CaixaBank ficou com a totalidade do BPI em dezembro do ano passado, depois de um processo longo para reforçar a sua posição no banco português. Em abril de 2017, depois de uma OPA bem sucedida em que ficou maioritário, escolheu Pablo Forero para ficar à frente do banco. E este ano, pelo exercício de 2018, pagou pela primeira vez dividendos, o que não acontecia há nove anos. 

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