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BPI: "Eterna noiva" recebe nova proposta de casamento

Nos últimos 15 anos foram várias as operações e especulações em torno do BPI. Foram várias as operações e especulações que estiveram em cima da mesa, nunca concretizadas. De tal forma que o banco foi apelidado de "eterna noiva".

Reuters
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2015 às 12:54
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O "apetite" pelo BPI fez correr muita tinta na imprensa nos últimos 15 anos. O banco, actualmente liderado por Fernando Ulrich, esteve em vias de se fundir com o BES, ser comprado pelo BCP ou fundir-se com este último. Foram várias as operações e especulações que estiveram em cima da mesa, nunca concretizadas. De tal forma que o banco foi apelidado de "eterna noiva".

 

O ano de 2000 começou com um anúncio de fusão entre o BES e o BPI. A operação seria realizada através da troca de 692 novas acções do BPI por cada 100 acções existentes do BES.

 

Foram precisos quase três meses para que esta fusão caísse por terra depois de ter sido noticiado que havia um mal-estar entre os responsáveis das duas instituições. O anúncio da fusão foi feito a 18 de Janeiro de 2000, e caiu no final de Março.

 

Nos anos seguintes não houve novidades, apenas especulação em torno de possíveis interessados. Os analistas apelidaram o BPI de "eterna noiva" da banca nacional – uma empresa que atraia muitos interessados mas que acabava por não concretizar qualquer operação.

 

A 13 de Março de 2006 o BCP anunciou o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o BPI, oferecendo então 5,70 euros por acção, ou seja, um prémio de 19% face à cotação de então. 

 

O BPI rejeitou a oferta, considerando de "hostil" a proposta que, se fosse concretizada, daria origem à maior cotada de então. Na altura o então presidente executivo do BCP, Paulo Teixeira Pinto, revelou que o seu banco tentou, antes de lançar a OPA, realizar uma fusão com o BPI.

 

O BCP foi mantendo sempre a contrapartida oferecida, tendo apenas "cedido" a 24 de Abril de 2007, altura em que elevou para 7,00 euros a oferta. Um valor ainda assim considerado "totalmente inaceitável". A OPA foi dada como "morta" em Maio de 2007.

 

No âmbito desta OPA o BPI, para se proteger, fez alterações aos seus estatutos ainda em 2006 elevando o limite de blindagem, de 12,5% para 17,50%, o que na altura acabou por ditar um reforço do poder do La Caixa e do Itaú. Em Agosto desse mesmo ano o La Caixa reforçou a posição no capital do BPI para mais de 20%. Em Outubro, houve notícias que davam conta de um reforço desta posição. Em Janeiro de 2007, o La Caixa já detinha 25% do BPI.

 

A OPA do BCP foi dada como falhada em Maio. Cinco meses depois, o BPI contra-atacou, apresentando uma proposta de fusão com o banco. Foi a 25 de Outubro que foi anunciada a proposta. Exactamente um mês depois, a 25 de Novembro, era dado por terminadas as negociações entre os dois bancos. E dois dias depois Fernando Ulrich garantia não ter qualquer intensão de lançar uma OPA sobre o BCP. 

 

Em 2012, o Itaú saiu do capital do BPI, tendo vendido a sua posição ao La Caixa. O banco espanhol, que é accionista do banco português desde 1995, ficou na altura com mais de 48% do capital da instituição liderada por Ulrich. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) considerou que o lançamento de uma OPA sobre o BPI por parte do La Caixa não era obrigatório. Nesta altura, o limite de votos estava já nos 20%, depois de alteração estatutária em Abril de 2009. 

 

Mais recentemente, o BPI demonstrou-se interessado na compra do Novo Banco, instituição criada após o colapso do BES e que ficou com os activos e passivos saudáveis. Ainda esta terça-feira, 17 de Fevereiro, o banco português reiterou o seu interesse.

 

O La Caixa também se pronunciou sobre esta operação. Foi no dia 30 de Janeiro, aquando da apresentação dos resultados do ano passado, que o presidente executivo do Caixabank, Gonzalo Gortázar, apoiou o BPI neste processo, afirmando que "cabe ao BPI analisar e estudar a possibilidade de comprar o Novo Banco, tal como o Caixabank o faz em Espanha noutras operações, em que para umas avança e para outras não."

 

O Carnaval de 2015 ficará assim marcado pelo lançamento de uma OPA do La Caixa sobre o BPI. O accionista histórico do BPI oferece 1,329 euros por acção, um prémio de 27% face à cotação de fecho de segunda-feira. 

 

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