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Cabo Verde: Companhia TACV vai reduzir um quarto dos trabalhadores

A empresa anunciou que a redução de efectivos faz parte do seu plano de reestruturação para reduzir o endividamento e atrair novos investidores.

avião TACV Cabo Verde aeroporto Beja
Carlos Pinto/Correio da Manhã
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 07 de Março de 2016 às 16:30
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A companhia aérea cabo-verdiana Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) vai reduzir em cerca de um quarto o seu número de trabalhadores, anunciou esta segunda-feira, 7 de Março, o CEO da empresa à Reuters. A saída de colaboradores é parte do plano de reestruturação da empresa, que passa pela revisão das rotas operadas e pela redução da dívida de forma a permitir a entrada de privados no capital da companhia.


"É claro que temos de reduzir o tamanho da equipa para tornar a empresa mais rentável", assumiu João Pereira Silva em entrevista àquela agência noticiosa. O plano, que passa pela eliminação de 120 postos de trabalho nos 510 existentes, deverá ser apresentado pela companhia até ao final desta segunda-feira.


Coincidindo com a situação financeira difícil, a empresa viu ser arrestado no mês passado na Holanda um dos aviões da sua frota, o Boeing 737 baptizado "Emigranti" depois de a AerCap, uma empresa de "leasing" de aviões, ter emitido uma ordem de arresto relacionado com o pagamento de uma dívida. De acordo com o jornal Liberal, que cita fontes próximas, estão em causa 2,45 milhões de dólares (2,23 milhões de euros).


Na sexta-feira passada, 4 de Março, o primeiro-ministro cabo-verdiano garantia estar a fazer "tudo" para permitir a reestruturação da empresa (em curso desde Outubro passado) e a sua posterior privatização, tendo também em vista a salvaguarda dos empregos.


"O Governo está a trabalhar uma solução global para resolver os problemas imediatos de dívidas que se colocam à empresa e responder às pressões de outros credores da empresa para garantir que a empresa continue a funcionar sem grandes sobressaltos, de modo a garantir os postos de trabalho", afirmou José Maria Neves, de acordo com uma nota publicada no site do Governo de Cabo Verde.


O governante dizia, após uma reunião com a comissão de trabalhadores da empresa, que a TACV tem uma situação deficitária, com despesas muito superiores às receitas e que é necessário pagar as dívidas pendentes para garantir que a empresa continua a funcionar.


Por outro lado, considerou que os certificados internacionais que a empresa detém constituem um "grande activo", permitindo-lhe realizar voos transatlânticos "mesmo para os destinos mais exigentes" como a Europa e os EUA.


De acordo com o site da companhia, a TACV serve sete destinos internos e nove no estrangeiro, entre os quais Lisboa.

Já em 2009 o então presidente da empresa, António Pereira Neves, reconhecia em carta aos trabalhadores que a TACV estava "muito doente" devido às dívidas acumuladas e que só sobrevivia "porque os seus credores vão fechando os olhos e nenhum deles pediu, até agora, o seu encerramento — leia-se falência".

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