Empresas Café "A Brasileira" reabre em Coimbra após 17 anos como pronto-a-vestir

Café "A Brasileira" reabre em Coimbra após 17 anos como pronto-a-vestir

Inaugurado em 1928, foi um espaço de referência para os intelectuais e ali surgiram ideias e acções que ajudaram a mudar o rumo do País. Alguns milhões de euros depois, a partir de hoje volta a servir o tradicional café de saco num espaço que restaurou também algum mobiliário original.
António Larguesa 01 de março de 2012 às 07:00
Depois de 17 anos a albergar uma loja de venda de roupa a retalho, a histórica loja da baixa de Coimbra reabre esta tarde como café. Até 1995, albergou tertúlias históricas com personalidades como Zeca Afonso. O empresário local, Lúcio Borges, quer “manter e aproveitar a marca” para conseguir retorno para o avultado investimento, que envolveu a recuperação de todo o prédio.

Ao Negócios, Lúcio Borges não quis revelar o montante total do investimento – “está guardado, nunca disse e não vou dizer” – neste projecto que demorou dois anos a concretizar. Este foi o tempo necessário para completar as obras de requalificação da loja e de todo o prédio, situado na rua Ferreira Borges, em plena Baixa da cidade.

“Não houve nenhum apoio, foi tudo custeado apenas por mim”, sintetiza. E como perspectiva o retorno desse investimento? “A perspectiva de retorno... vamos trabalhar para isso. Vamos ver daqui a uns anos. A ideia é manter e aproveitar a marca”, acrescentou. O slogan permanecerá, à imagem do que sucede nas lojas (independentes) de Lisboa, Porto e Braga: “O melhor café é o d’A Brasileira”.

“Isto foi um pronto-a-vestir até 2010. Nessa altura, quando procurava um espaço, entrei em acordo com o senhor do pronto-a-vestir, que estava interessado em despachar o negócio, e com o proprietário do prédio”, relata Lúcio Borges, que também há 17 anos entrou neste ramo, com uma pastelaria com fabrico próprio, que se manterá de portas abertas.

O “passado histórico” deste espaço emblemático para a cidade foi assim o principal motivo da escolha. A partir de 1 de Março, os clientes mais antigos podem reviver algumas das experiências. Estarão de volta, enumera, o café de saco, o bife e o bacalhau, que “em termos de refeições sempre foram os pratos mais falados”. Além de cafetaria e restaurante, passará também a ter serviço de padaria.

O projecto foi concebido pela “IPOTZ Studio”, gabinete de Arquitectura e Design de Interiores, e pelo gabinete “Luis Flório Arquitectos”, ambos de Coimbra. Foram eles os responsáveis pelo novo “espaço diferenciado de linhas modernas”, que, relata Borges, “terá algum do aspecto que tinha antes de fechar e recupera algumas peças originais, que foram recuperadas”.