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"Caixa forte" virtual da Portugal Telecom termina transformação iniciada há cinco anos

A Portugal Telecom está a inaugurar o centro de dados da Covilhã, um investimento de 90 milhões de euros, e que na primeira fase vai permitir empregar 100 trabalhadores de forma directa.

Alexandra Machado amachado@negocios.pt 23 de Setembro de 2013 às 11:49
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Há cinco anos a Portugal Telecom iniciou uma mudança na sua visão de negócio. Zeinal Bava, agora presidente da PT Portugal, lembrou como em 2008 a operadora apostou numa rede de fibra óptica, numa mudança do negócio para a convergência, fechando agora o ciclo com a entrada em funcionamento do centro de dados da Covilhã. A PT estava a ver o seu negócio tradicional, de linhas fixas, a cair 10% ao ano. O negócio de telecomunicações, hoje em dia, cai 2 a 5%. Há que encontrar alternativas e uma delas está no negócio virtual, na chamada nuvem, por tradução directa da definição anglo-saxónica "cloud".

 

É na "cloud" que a PT acredita que as PME e start-ups devem alojar-se, desde logo por uma questão de custos, mas também, defendeu Zeinal Bava na apresentação do centro de dados, por escalabilidade e agilidade. "Não pode ser só preço", defendeu, até porque hoje uma das preocupações das empresas é a segurança e esta "é tão ou mais fundamental" que o preço.

 

Zeinal Bava acredita que este é o momento para falar da virtualização. Não apenas para os particulares, mas prinicipalmente para as empresas. "Só é uma boa ideia se o timing for o correcto e acredito que o timing é este". Há a explosão dos dados, ou como é referido o "data tsunami", há a multiplicidade de equipamentos, há a explosão de equipamentos conectados.

 

Para responder a essas tendências, a PT vai investir até ao final deste ano no centro da Covilhã 90 milhões de euros. O projecto foi concebido para quatro edifícios para albergar servidores, mas nesta fase foi construído o primeiro bloco com capacidade para 12.500 servidores. Estes vão ser instalados à medida que haja clientes. E hoje a PT assina contratos com vários clientes para o centro de dados, que até agora tem sido "consumido" apenas pela operadora.

 

A PT diz, aliás, que pretende concentrar os seus cinco centro de dados em dois, mantendo o de Picoas e ficando com este da Covilhã. O primeiro a ser desactivado será o da Álvaro Pais, em Lisboa, cujo processo de transferência será feito até ao final do ano.

 

O centro da Covilhã ocupa uma área total de 75.500 metros quadrados, quase onze campos de futebol.

 

Zeinal Bava admite que ocupar a capacidade deste centro requer muita acção de vendas, mas a PT não quer vender o centro apenas em Portugal. Por isso já firmou acordos com parceiros seus, integradores, para que o centro chegue a outros mercados. E em particular PT e Oi trabalham em conjunto na estratégia da "cloud", havendo uma partilha de receitas entre as duas operadoras. Zeinal Bava, além de presidente da PT Portugal, é presidente da Oi.

 

A Portugal Telecom quer "vender" o centro através da sua própria experiência. 63% dos servidores da Portugal Telecom já estão virtualizados. "Somos um case study na adopção dessa tecnologia", garante Zeinal Bava, dizendo que o objectivo de concentrar os centros da PT. "Vai poupar imenso dinheiro e aumentar a capacidade de processamento". Mesmo fazendo da PT um case study, Zeinal Bava não revela o quanto é que a operadora vai poupar nesta concentração. Como também não revela o volume de negócios que gera, hoje, com a "cloud", assumindo que é ainda um valor pequeno. Por isso, opta por dizer apenas que aumentaram do primeiro semestre de 2012 para a primeira metade de 2013 em Portugal 72% e no Brasil 70%.

 

No Brasil, a PT anunciou também esta segunda-feira, 23 de Setembro, o lançamento da oferta "smartcloud" para PME e start-ups.

 

O investimento está feito e Zeinal Bava foi o próprio a admitir que "primeiro vem o investimento, depois o retorno". A opção foi: "vamos construir e agora as equipas vão vender". Por isso, deixa já a mensagem: "um sucesso é construir mais um bloco". A PT aponta casos internacionais para chamar, também, a Administração Pública a olhar para a centralização do alojamento de serviços e programas. "É uma viagem que se inicia", afirmou Zeinal Bava. 

 

A WedO, da Sonaecom, é uma das empresas que colocou duas das suas soluções, disponíveis, no centro de dados da PT, que podem ser acedidos por clientes deste centro. Zeinal Bava fez uma menção especial à Wedo, até porque integra o grupo que é agora o principal concorrente da Portugal Telecom no mercado das telecomunicações.

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