Aviação Cartel de “fogo” espanhol tinha coordenador em Portugal

Cartel de “fogo” espanhol tinha coordenador em Portugal

O cartel, que usava informações privilegiadas para combinar preços e ganhar concursos nas actividades de combate a fogos florestais, actuou em Espanha, França, Portugal e Itália, segundo as investigações das autoridades espanholas.
Cartel de “fogo” espanhol tinha coordenador em Portugal
Cofina Media
Negócios 29 de agosto de 2016 às 16:04

O cartel de empresas que operam em actividades de combate aos fogos florestais tinha um "coordenador" em Portugal, segundo o jornal espanhol El Mundo, que teve acesso aos interrogatórios que estão a decorrer no país vizinho.


O chamado "cartel de fogo" combinava preços para concorrer e influenciar o resultado dos procedimentos e contava com uma rede de colaboradores em Espanha, França, Portugal e Itália para obter informação confidencial acerca dos concursos.


No centro do furacão está a empresa Avialsa, depois de um seu ex-trabalhador, Franciso Alandí, ter denunciado o caso às autoridades espanholas em finais de 2014. Um esquema internacional, organizado e hierarquizado que só em Espanha acumulou mais de 100 milhões de euros combinando preços.


A testemunha declarou que o empresário responsável pela Avialsa, Vicente Huerta, tinha "assalariados" que conseguiam informação confidencial em Espanha e falou mesmo em "espionagem em Itália". Em Portugal, durante anos as empresas de Huerta concorreram em consórcios. "Às vezes apresentava-se uma dessas empresas e acordavam com o resto dos empresários o aluguer de uns aviões", disse Alandí. Mais tarde, as receitas eram divididas.


O denunciante do esquema disse depois que o cartel tinha, em Portugal, um "coordenador de influência" pago por Huerta. Esse coordenador tinha uma rede de contactos com "as instituições de Portugal", para assegurar as adjudicações. Alandí falou de emails que davam conta de reuniões com operadores em Portugal "para chegar a acordos". O "coordenador de influência" é que se encarregava de manter reuniões com responsáveis por quem adjudicava estes serviços para que as ofertas estivessem próximas dos preços de licitação. E com isso tinham benefícios. O Estado português gastou 3,8 milhões de euros na adjudicação de contratos com a empresa.


Huerta também tinha colaboradores em França. A Avialsa renovou no passado mês de Junho um contrato de extinção de incêndios com a região de Hérault.


Em Itália foi constituída uma holding em que participava a empresa local Air Spea, com a qual Huerta concorria a concursos públicos, "apresentando sempre o preço mais elevado", segundo o denunciante. A empresa italiana tinha reuniões com a Protecção Civil do país.


Em Espanha, há oito comunidades autónomas implicadas: Valenciana, Baleares, Castela e Leão, Castela-Mancha, Galiza, Canárias, Catalunha e Aragão. Além da Avialsa estão implicadas a Faasa Aviación, Cegisa, Santiago Cid Grupo Inaer, T.A. Extremeños, Santiago Cid e Trabajos Aéreos Espejo.




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