Empresas Casas de banho tradicionais do Japão atraem grandes investidores

Casas de banho tradicionais do Japão atraem grandes investidores

Perante o crescente fluxo de turistas estrangeiros no Japão, um dos principais termos de pesquisa na internet é “onsen”, as tradicionais casas de banho com águas termais onde viajantes têm mergulhado desde os tempos dos samurais. Agora, um dos negócios mais antigos do mundo está a atrair capital novo.
Bloomberg 18 de maio de 2019 às 17:00

Fundos de investimento como o Fortress Investment, do SoftBank, e o Odyssey Capital, de Hong Kong, estão a investir milhares de milhões para explorar a atratividade das pousadas tradicionais num contexto de ‘boom’ turístico no Japão, antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio no próximo ano. Os grandes fundos estão a entrar nesse mercado numa altura em que as casas de banho centenárias, muitos delas de controlo familiar, tentam encontrar sucessores num país que está a envelhecer e onde as pequenas cidades e aldeias se deparam com a migração dos jovens.

A Odyssey, juntamente com dois outros investidores, comprou no ano passado o seu primeiro onsen japonês, uma pousada com 28 quartos com piso de tatame perto do Mar do Japão, chamada Kagetsu, ou "lua florida". Christopher Aiello, diretor-geral do braço imobiliário no Japão da Odysey, disse que a empresa planeia investir 500 milhões de dólares nos próximos três anos com a compra cerca de 20 hotéis japoneses tradicionais, conhecidos como ryokan.

"O setor hoteleiro japonês tem enormes oportunidades de investimento", disse Aiello em entrevista. "Muitos desses ryokan estão muito desvalorizados depois de muitos períodos de recessão e má gestão, mas muitos deles estão localizados em belos cenários naturais".

Na Kagetsu, a neta do fundador, Tomoko Tomii, recebe os hóspedes na entrada de pedra da pousada com um delicado vestido rosa claro como um quimono. Aos 40 anos, conta que a família decidiu vender o negócio à Odyssey no ano passado, porque as dívidas acumularam-se e precisavam de dinheiro para modernizar os quartos e criar um site em inglês.

As fontes termais japonesas também se tornaram alvo do investimento de outras grandes empresas. A Breezbay Hotel, com sede em Yokohama, pretende comprar 100 alojamentos e pousadas onsen nos próximos cinco anos, segundo o presidente da empresa, Noritada Tsuda.

A Bain Capital tem vindo a comprar onsens desde 2015, quando investiu numa rede de 29 spas e resorts japoneses, incluindo uma unidade numa ilha artificial na Baía de Tóquio. No mês passado, a empresa de investimentos com sede em Boston inaugurou uma unidade com vista para o mar na zona rural de Mie, elevando o número dos seus ativos hoteleiros no Japão para 36 e com planos de comprar mais.

O Fortress, fundo com sede em Nova Iorque que foi adquirido em 2017 pelo SoftBank por 3,3 mil milhões de dólares, também aposta neste mercado. Em fevereiro, o fundo abriu um spa no centro de Osaka, do tamanho de dois quarteirões, onde turistas podem mergulhar em banheiras à beira de um tradicional jardim japonês, com um complexo de hotéis e centros comerciais ao lado e uma torre de 51 andares acima.

Thomas Pulley, diretor de investimentos para o setor imobiliário global do Fortress, viajou cinco vezes ao país durante a construção do resort para escolher pessoalmente as cerejeiras e banheiras de barro usados nos quartos privados ao ar livre. As banheiras custam cerca de 20 mil dólares cada.

(Artigo original: Private Equity Sees Opportunity in Getting Naked With Strangers)




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