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Caso dos "espiões inexistentes" na Renault foi desvendado

Responsável pelo departamento de segurança da Renault montou um esquema que levou à acusação de três gestores da fabricante de automóveis francesa por espionagem. Afinal foi o próprio chefe de segurança quem elaborou a fraude.

Andreia Major amajor@negocios.pt 05 de Abril de 2011 às 18:20
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A história começou no Verão passado quando a Renault começou a receber cartas anónimas que apontavam como suspeitos de um crime de espionagem industrial, três gestores da empresa. As cartas apontavam que os três empresários teriam revelado informações confidenciais relativas ao programa de veículos eléctricos da empresa. A empresa acusou em Janeiro Michel Balthazard, Bertrand Rochette e Matthieu Tenenbaum de terem recebido dinheiro em contas em bancos estrangeiros na Suíça e no Lichenstein em troca de informações secretas do programa de carros eléctricos da Renault no valor de 4 mil milhões de euros.

A Renault confessou depois que baseou as suas acusações relativas às alegadas contas no estrangeiro no departamento de segurança da empresa, dirigido por Dominique Gevrey, que recebeu, por sua vez, as informações de uma fonte secreta. Gevrey deu um nome ao conselho de administração da Renault, porém este não foi verificado, declarou um membro do Ministério Público de Paris. O Ministério acabou por descobrir que não existiam contas bancárias estrangeiras, o que levou a Renault a retirar as acusações, depois de ter acusado em Janeiro os três funcionários injustamente acusados de venderem informação tecnológica estratégica sobre o programa de veículos eléctricos da empresa. Funcionários acusados injustamente demitem-se A fabricante francesa de automóveis admitiu ter acusado injustamente três funcionários no âmbito da fuga de segredos da empresa e ofereceu as suas “sinceras desculpas e arrependimento” aos três executivos. Os funcionários demitiram-se após a produtora de automóveis ter admitido que teriam sido injustamente despedidos num escândalo de espionagem, de acordo com o “Financial Times”.

Após se ter descoberto que não existiam contas estrangeiras tituladas pelos funcionários e que era falsa a acusação de espionagem industrial, Carlos Ghosn, actual CEO da empresa, e o seu adjunto Patrick Pélata (na foto à direita), renunciaram aos prémios de desempenho de 2010 e às suas acções para 2011. Pélata apresentou mesmo a sua demissão, mas Ghosn recusou-se a aceitá-la.

“Estamos na presença de uma possível fraude”, disse Jean-Claude Marin, promotor do Ministério Público em Paris. Foi o mesmo que declarou que as autoridades da Suiça e do Liechtenstein teriam confirmado que não existiam contas bancárias tituladas pelos três executivos despedidos.

A empresa comprometeu-se à reintegração e indemnização dos três empregados acusados e revelou que iria iniciar procedimentos disciplinares contra três agentes de segurança envolvidos no caso. Referiu ainda que iria implementar reformas de governação para se proteger a si, aos indivíduos e à informação. Fraude teve como contrapartida um montante “incrivelmente modesto” Dominique Gevrey, director do departamento de segurança da Renault, foi o principal suspeito e está detido desde dia 14 de Março, e sob investigação do Ministério Público.

Os investigadores franceses acreditam na teoria de que foi montado um esquema interno por Gevrey para roubar a empresa, por um montante “incrivelmente modesto” de dinheiro. Os investigadores estão a pesquisar como é que o departamento de segurança da Renault gastou cerca de 700 euros no inquérito para tentar desvendar o caso de espionagem industrial. O Ministério Público suspeita que Gevrey terá pago cerca de 310 mil euros à equipa responsável pela investigação interna como forma de suborno. Os nomes dos subordinados não são conhecidos. O procurador de Estado de Paris, Jean-Claude Marin, declarou que foram cedidos 300 euros para cobrir as despesas com o caso e posteriormente uns adicionais 400 euros. A investigação aponta para que a francesa automóvel tenha sido vítima de crime organizado de fraude. Dada a grande atenção que foi dada ao caso pelos meios de comunicação social, o montante das indemnizações pagas aos três gestores deverá situar-se ao nível dos milhões de euros. Presidente abdica de prémios O CEO, Ghosn (na foto à esquerda), declarou que ele e outros gestores iriam abdicar dos seus bónus de 2010, bem como dos prémios de 2011 e afirmou ainda que gostaria de reintegrar os três gestores novamente na empresa. Dois dos três gestores confirmaram que poderiam considerar a oferta depois dos danos serem pagos. Apesar de Ghosn já ter sido acusado de autoritarismo excessivo e de ser controlador, o seu sucesso na inovação e na captação de lucros para a Renault, está a silenciar os pedidos para o afastamento do CEO. Os membros do gabinete francês criticaram a sua forma de conduzir o “caso de espionagem” e o tempo que o CEO levou até comunicar o caso à polícia. Continuam a decorrer as investigações sobre o caso que chocou a França e abalou a popularidade da francesa Renault e do seu corpo administrativo.
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