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Caso Doyen leva Sporting para prejuízos de 18 milhões

O processo Doyen teve um efeito negativo de 14,2 milhões de euros nas contas do Sporting, o que em conjunto com a decisão de não vender jogadores justifica os prejuízos no primeiro semestre.

Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 01 de Março de 2016 às 10:46
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A Sporting SAD registou um resultado líquido negativo de 18,1 milhões de euros no primeiro semestre fiscal (entre Julho e Dezembro de 2015), o que compara com lucros de 23,7 milhões de euros no mesmo período do ano passado.

 

No relatório e contas do primeiro semestre, publicado na CMVM na manhã de 1 de Março, a Sporting SAD adianta que o resultado líquido foi "maioritariamente influenciado pelo efeito não recorrente que decorre do processo Doyen no valor de 14,243 milhões de euros".

 

No final do ano passado o Tribunal Arbitral do Desporto oficializou a decisão sobre o diferendo entre Sporting e a Doyen, devido ao futebolista Marcos Rojo, dando três dias ao clube para pagar 75% da mais-valia que venha a obter numa transferência do argentino.

 

Além da litigância com a Doyen, a Sporting SAD foi penalizada pela decisão de manter o plantel da equipa principal de futebol, tendo diminuído substancialmente o encaixe com a venda de passe de jogadores. Na rubrica rendimentos operacionais das transacções com jogadores a Sporting SAD registou um resultado negativo de 944 mil euros, o que compara com o valor positivo de 16,2 milhões de euros no mesmo período do exercício anterior.

 

"Na presente época, fruto da decisão de reforço da equipa principal, associado à decisão do Conselho de Administração de manutenção dos elementos mais importantes do plantel conduziram a uma valorização significativa do valor de mercado do plantel e à referida redução dos ganhos com a alienação de direitos desportivos e económicos de jogadores", refere o relatório da SAD liderada por Bruno de Carvalho (na foto).

 

Esta política de reforço do plantel foi invertida na abertura do mercado em Janeiro deste ano, com a venda dos passes de alguns jogadores. A Sporting SAD salienta que os resultados "seriam positivos, por exemplo, se as alienações dos direitos desportivos dos jogadores Fredy Montero e Valentin Viola tivessem ocorrido em Dezembro". Os ganhos de 4,6 milhões de euros com a venda dos passes destes dois jogadores vão ser contabilizados no primeiro trimestre de 2016 (terceiro trimestre fiscal).

 

Gastos com pessoal levam resultados operacionais para o vermelho

 

O caso Doyen e a ausência da venda de passes de jogadores são os principais destaques dos resultados do Sporting, mas mesmo sem estes eventos, as contas do Sporting ao nível operacional foram negativas.

 

Entre Julho e Dezembro os resultados operacionais foram negativos em 577 mil euros, contra um valor positivo de 7,6 milhões de euros no mesmo período do exercício anterior.

 

No primeiro semestre os rendimentos operacionais (vendas e outros rendimentos e ganhos) foram de 37,5 milhões de euros, um acréscimo face aos 32,9 milhões de euros do mesmo período do ano passado.

 

Contudo, o aumento dos gastos operacionais foi bem superior, passando de 25,2 milhões de euros para 38,1 milhões de euros. Nesta rubrica ganha destaque o forte aumento dos gastos com pessoal, que quase duplicaram para 23,4 milhões de euros. No primeiro semestre do exercício anterior tinham totalizado 12,1 milhões de euros.

 

"Ocorreu um aumento dos gastos com pessoal que surge por via da contratação de novos atletas e equipa técnica e por via da renovação de contratos com jogadores já pertencentes ao plantel", explica a SAD do Sporting.

 

Na presente época o Sporting contratou Jorge Jesus para treinador principal e alguns jogadores que deverão auferir salários acima da média do plantel, como Teo Gutiérrez e Bryan Ruiz.

 

Também os resultados financeiros penalizaram as contas, com um valor negativo de 2,3 milhões de euros no primeiro semestre, contra um valor positivo de 145 mil euros no mesmo período do ano anterior.

 

A Sporting SAD chegou a Dezembro com um passivo de 255 milhões de euros, um acréscimo de 26,58 milhões de euros em seis meses, que a cotada justifica com o processo Doyen e o aumento do endividamento bancário, que é "considerada normal".

 

O capital próprio também resvalou para terreno negativo (-11,2 milhões de euros), contra um saldo positivo de 7 milhões de euros em Junho. O activo subiu para 243,8 milhões de euros.

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