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Catroga: "Gostaria que a EDP não se transformasse numa PTzinha"

Eduardo Catroga, que já foi presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, e que agora é vogal nesse órgão, em entrevista ao Expresso diz que não há um loby da EDP. Pelo contrário, "existe é um loby anti-EDP".

Bruno Simão
Negócios 06 de Outubro de 2018 às 15:37
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Em entrevista ao Expresso, a propósito do livro que vai lançar de memórias - "Gestão, Política e Economia" -, Eduardo Catroga acaba por falar da EDP, na qual é voga no Conselho Geral e de Supervisão, depois de ter sido seu presidente.

Sobre a EDP, o ex-ministro das Finanças sustenta que a eléctrica tem um problema de rentabilidade em Portugal, por isso acredita que tem de se questionar a estrutura accionista que tem de ter para crescer, "continuando a ser uma empresa de base portuguesa, que paga impostos em Portugal".

É por isso que diz que gostava que fossem criadas condições "para que a EDP não fosse o caso de outras grandes empresas, como a Cimpor, como a PT, que ficou transformada em PTzinha e confinada às operações domésticas".

Isso só acontecerá se a eléctrica, acrescenta, não for transformada numa filial de uma empresa francesa, alemã ou italiana. E se se tornar uma filial chinesa? "Isso não sou eu a comandar, o mercado é que vai decidir. (...) Era preferível ser mais diversificada".

Nos temas internos, Eduardo Catroga, que fala em "abuso fiscal" sobre o sector energético, diz que a CESE (contribuição extraordinária sobre o sector energético) é "um imposto irracional, em que quem mais investiu mais paga". Catroga diz mesmo que "a conta de electricidade passou a ser um instrumento de desorçamentação: em vez de os custos de decisões políticas serem suportados pelo Orçamento do Estado, são suportados através da factura dos consumidores".

Algumas das medidas foram tomadas pelo Governo de Pedro Passos Coelho, com quem Catroga trabalhou. O gestor garante: "nunca falei com Pedro Passos Coelho sobre esse tema".

Num momento em que decorre uma comissão parlamentar de inquérito sobre as alegadas rendas excessivas na electricidade, Catroga diz que até pode ser útil. Mas porque, no seu entender, "no final vai demonstrar que não existem rendas excessivas". Também diz esperar que o Ministério Público venha a arquivar as investigações "porque os indícios não têm pés nem cabeça".

E a este propósito, para Eduardo Catroga, ao contrário do que se diz, "a EDP não tem loby. Existe é um loby anti-EDP. A EDP utiliza os seus canais para apresentação de análises técnicas fundamentadas através da gestão executiva".

Mas, então, questiona o Expresso "porque há tantos ex-governantes na EDP?" Catroga responde: "quero acreditar, e basta olhar para o meu currículo, que eu sou um homem das empresas. Então pelo facto de ter desempenhado missões cívicas eu deixaria de ser essencialmente um gestor?".
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