Banca & Finanças CGD: PSD acusa PS de tentar “proteger alguém”. Socialistas falam em “atitude errática”

CGD: PSD acusa PS de tentar “proteger alguém”. Socialistas falam em “atitude errática”

Naquela que foi a última discussão em torno da comissão parlamentar de inquérito à gestão da CGD, no plenário desta sexta-feira, PSD e PS trocaram acusações.
CGD: PSD acusa PS de tentar “proteger alguém”. Socialistas falam em “atitude errática”
Rita Atalaia 19 de julho de 2019 às 10:29
Os partidos, da esquerda à direita, aplaudem os trabalhos da segunda comissão parlamentar de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD), assim como o relatório final que mereceu a aprovação de todos. Ainda assim, naquela que foi a última discussão em torno desta iniciativa, no plenário desta sexta-feira, PS e PSD não deixaram de trocar acusações. Os socialistas falam em "atitude errática", enquanto os sociais democratas acusam o partido do Governo de estar a tentar "proteger alguém" nas propostas de alteração ao relatório.

"A participação dos deputados do PS focou-se no apuramento dos responsáveis" pela má gestão na CGD, começou por afirmar o deputado socialista João Paulo Correia naquela que é a última sessão plenária antes de Assembleia da República fechar para férias. E continuou: "Fizemo-lo sem procurar proteger pessoas, mas também sem fazer ataques justificados por mera conveniência política". 

Para os socialistas, as propostas de alteração apresentadas pelo PSD tiveram como objetivo "aligeirar as suas próprias responsabilidades", tentando "mudar a linha séria do relatório" elaborado pelo centrista João Almeida. João Paulo Correia falou ainda de uma "redação atabalhoada com o intuito de branquear alguns". "O facto de o PSD ter visto rejeitada a maioria das propostas" prova a "atitude errática", rematou. 

Numa das propostas de alteração do PSD era sugerido a integração no relatório final de que havia indícios em alguns casos de "prática de gestão danosa". Uma sugestão que foi rejeitada na votação desta quinta-feira. 

"Sabemos que quiseram proteger alguém", atirou depois o social democrata Duarte Pacheco. "Foi na 25.ª hora, é verdade, mas isso corresponde à vossa postura inicial. No último momento faltou-lhes coragem de ir até ao fim e dizer que houve gestão danosa [na CGD]. Isso vai ficar na vossa consciência". Na sua proposta de alteração, o PS quis associar a crise financeira às perdas registadas durante o mandato de Santos Ferreira na CGD.

Já Duarte Marques, do PSD, relembrou que em janeiro deste ano o próprio PS pediu que se apurasse "o mais rápido possível os responsáveis pela má gestão e gestão da danosa na CGD". E "esta CPI só confirmou isso mesmo". 

Da parte do Bloco de Esquerda e PCP, o discurso focou-se sobretudo na necessidade de definir o papel da CGD enquanto banco estatal. "Para ser público não basta ser do Estado. Tem de ser orientado para servir os interesses do país", afirmou o deputado comunista Duarte Alves. Já a bloquista Mariana Mortágua considerou que "esta comissão cumpriu o seu papel" e que cabe "ao poder político agora outra tarefa: definição do banco público", garantindo que a Caixa continua a ser um exemplo de transparência e de financiamento à economia.

Foi na quarta-feira que o relatório final da comissão parlamentar de inquérito à gestão da CGD foi aprovado por unanimidade, com os partidos a considerarem o documento equilibrado e factual. 

João Almeida, responsável pela redação do relatório, afirmou, em entrevista ao Negócios, que os deputados fizeram o seu trabalho e que espera agora que a justiça cumpra o seu papel. Para o deputado do CDS, "seria muito incompreensível" se não houver responsáveis pela gestão que considerou ser pouco sã e prudente na Caixa.




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