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CGD compra na PTM e Telefónica vende

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) comprou a posição de 10,6% que o Barclays detinha na PT Multimédia. A notícia, avançada no sábado pelo "Sol", não é comentada por fonte oficial do banco estatal nem pelo Ministério das Obras Públicas, que tutela a PT, mas

Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt 30 de Abril de 2007 às 07:42
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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) comprou a posição de 10,6% que o Barclays detinha na PT Multimédia. A notícia, avançada no sábado pelo "Sol", não é comentada por fonte oficial do banco estatal nem pelo Ministério das Obras Públicas, que tutela a PT, mas o "Diário de Notícias" já contabilizava ontem o investimento de 300 milhões de euros desembolsado pela CGD.

A posição que o Barclays detinha fora herdada do Banco Santander, onde estava "parqueada" uma posição de cerca de 10% que a PT detinha na sua participada PTM. Com a "zanga" entre a administração da PT e o Santander - motivada pela assessoria do banco então presidido por António Horta Osório à OPA da Sonaecom, que a administração da PT considerou hostil -, essa participação foi transferida para o Barclays. Entretanto, as acções passaram juridicamente a ser posse do Barclays. E a CGD comprou-as agora.

Este investimento é considerado como uma forma de o Estado se posicionar no futuro da PT Multimédia, que será destacada da PT, conforme já foi aprovado em Assembleia Geral na semana passada. Vários accionistas estão a posicionar-se para se manterem no capital da dona da TV Cabo e outros estão interessados em entrar. A CGD ficará agora com uma posição de 15% da PTM, posição que em teoria até pode aumentar.

A verdade é que há muitas acções a disputar na PTM, incluindo as do Banco Espírito Santo, que deverá reduzir a sua participação de acima de 12% para uma posição menor, provavelmente entre 2% e 5%. Também a posição dos espanhóis da Telefónica poderá ser vendida, havendo já vários grupos que, segundo soube o Jornal de Negócios, estão a telefonar para Madrid para se mostrarem compradores das acções detidas pelos espanhóis.

Entre os vários possíveis interessados em investir na PT Multimédia contam-se Joaquim Oliveira (que ficará com 3,4% e, segundo o "Expresso", quer aumentar para 5%), a Sonaecom, a Cofina e a Impresa, além do sucessivamente desmentido interesse do gestor da operadora, Zeinal Bava, liderar um consórcio para comprar a empresa.

Segundo fontes conhecedoras do processo, a Caixa Geral de Depósitos quer não apenas deter uma posição que lhe permita ter força na gestão estratégica futura da PTM mas também intervir no próprio processo de "adjudicação" sobre quem serão os futuros donos de controlo da PTM. Aliás, o próprio BES (accionista determinante na PT, que será concorrente da PTM) tem também o poder de, enquanto vendedor, poder escolher futuros accionistas da Multimédia.

Quem também terá esse poder será a Telefónica. Mas o caso aqui é diferente. Neste momento, estão a decorrer negociações para resolver as várias frentes que opõem a Telefónica e accionistas do núcleo duro da PT (incluindo o BES e o Estado Português, logo também a CGD).

A saída da PTM é dada como certa em Portugal e como possível em Espanha: tudo depende, para a Telefónica, do desenlace no Brasil. A parceria paritária PT/Telefónica na brasileira Vivo é para desfazer e os espanhóis querem negociar tudo de uma vez: Vivo, PT e PT Multimédia.

A posição na Vivo passou entretanto a ser menos estratégica para a Telefónica, que este fim-de-semana entrou no capital da Telecom Itália, naquele que é não só um grande negócio que catapulta a Telefónica na Europa, mas também alarga a sua presença indirecta no Brasil: a Telecom Itália controla a TIM, operadora de telemóveis concorrente da Vivo.

A entrada da Telefónica na operadora italiana é feita através de uma participação indirecta de 10%. A operadora espanhola é a sócia industrial de um consórcio em que entram a seguradora Generalli, a Benetton e os bancos Mediobanca e Intesa SanPaolo, que, em conjunto, compraram a "holding" Olímpia, principal accionista da Telecom Italia.

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