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CGD sondada para ficar com o controlo da Gás de Portugal

O Ministério das Actividades Económicas sondou há alguns dias a administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para uma eventual compra por parte da instituição financeira do Estado da participação inicialmente destinada da EDP no negócio do gás.

Negócios negocios@negocios.pt 06 de Dezembro de 2004 às 09:28
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O Ministério das Actividades Económicas sondou há alguns dias a administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para uma eventual compra por parte da instituição financeira do Estado da participação inicialmente destinada da EDP no negócio do gás.

Segundo uma notícia do «Público», o Objectivo é contornar o provável chumbo de Bruxelas à entrada da eléctrica no negócio do gás e, ao mesmo tempo, evitar que a italiana ENI exerça o direito de compra sobre a maioria das acções da GDP, caso a operação de reestruturação do sector não se concretize até 31 de Dezembro.

A iniciativa do gabinete de Álvaro Barreto terá sido tomada na sequência da resistência do primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, ao primeiro «plano B» avançado pelo titular da pasta económica e que previa a compra dos referidos activos pela Parpública, «holding» do Estado. Para o primeiro-ministro, a entrada da Parpública na operação corresponderia a uma «renacionalização».

De acordo com o desenho inicial da operação em risco de ser chumbado por Bruxelas, a EDP ficaria com 51% do capital da GDP e a ENI os restantes 49%.

O recurso ao banco público terá passado a ser uma nova hipótese. Há alguns dias, a CGD confirmou que a EDP iria ao seu aumento de capital, para o que canalizaria cerca de 400 milhões de euros. A eventual operação de compra dos activos do gás ficaria, todavia, por um valor superior.

O veto iminente de Bruxelas, previsto para a próxima quinta-feira, obriga a uma urgente e profunda alteração da organização empresarial desenhada pelo presidente da EDP, João Talone, e à antecipação de alguns prazos sensíveis, como o do contrato com os italianos da ENI prever um direito de compra sobre as acções da EDP, a exercer a 31 de Dezembro, caso o negócio não se concretize até lá, e sem por em causa uma operação paralela que é a entrada da Petrocer no capital da Galpenergia.

A chamada «call option», normal em contratos como o que ligam a EDP e a ENI, tem no entanto fortes hipóteses de não ser exercida pelos italianos, alegadamente pouco interessados em posições de hostilidade em relação ao Governo português. A situação reforça-lhes, porém, a força negocial com que entraram para este negócio. A saída dos italianos do capital da Galp e a sua passagem para o gás já tinham sido, por sua vez, justificadas como uma forma de resolver o fracasso da parceria estratégica com a Galp.

E já não é a primeira vez que o cumprimento de prazos contratuais com a ENI gera pressão. Foi o que aconteceu com o processo que levou à mudança accionista da GDP, anteriormente detida pela Galp, depois de não se ter cumprido a abertura em bolsa do capital da então holding do gás e do petróleo.

Contactada fonte oficial da CGD, não confirmou a existência de negociações para a compra dos activos do gás, não tendo sido possível obter reacção do Ministério das Actividades Económicas.

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