Energia Cidade viking redefine os mercados de electricidade da Europa

Cidade viking redefine os mercados de electricidade da Europa

Os traders em Aarhus estão a ganhar milhões com a transacção de electricidade gerada por solar e eólica
Cidade viking redefine os mercados de electricidade da Europa
Escritório da MFT Energy A/S em Aarhus
Bloomberg 09 de dezembro de 2018 às 18:00

Num dia de Outono ensolarado e com muito vento, dezenas de traders de energia observam atentamente os ecrãs nos seus escritórios, que tanto podem estar localizados num pequeno armazém como nos prédios mais luxuosos da cidade dinamarquesa de Aarhus.

A maioria dos operadores tem entre 20 e 30 anos e faz parte de uma nova geração que procura ganhar dinheiro prevendo as fortes oscilações dos preços da electricidade causadas por mais algumas horas de sol ou por uma nova rajada de vento. A transição sem precedentes da Europa em direcção à energia renovável ajudou a quadruplicar a actividade no maior mercado da região de electricidade entregue no mesmo dia no ano passado.

 

Não é coincidência que estes homens e mulheres tenham-se reunido na segunda maior cidade da Dinamarca, fundada pelos vikings e conhecida pelas suas casas centenárias de madeira e pela sua grande universidade. Foi aí que Henrik Lind, uma lenda deste mundo, fundou a sua empresa especializada em trading de curto prazo em 2004, onde muitos deles começaram a trabalhar. Lind continuou a ser o proprietário da maior parte da Danske Commodities até a empresa ser vendida por 470 milhões de dólares à gigante norueguesa do petróleo e gás Equinor este ano.

 

Lind estimulava os funcionários incentivando-os a verem-se como empreendedores e dando muita responsabilidade aos que estavam a começar. Esta é uma das principais razões pela qual fundam as suas próprias empresas, afirmou Simon Rathjen, que lançou a MFT Energy há dois anos.

 

"Lá aprendemos os fundamentos do trading de electricidade e agora estamos a fazer isso sozinhos", disse Rathjen. "O espírito empreendedor naquele momento deu-nos as ideias e os sonhos para tentar fazer isto por conta própria."

 

Expansão

Depois de obter um lucro de 9 milhões de coroas (1,2 milhões de euros) no ano passado, Rathjen contratou os ex-executivos da Danske, Torben Nordal Clausen, como presidente, e Cagdas Ozan Ates, como director executivo. Colocou também 13 funcionários a trabalhar num modelo de parceria e a empresa está a ampliar o seu escritório no último andar, em cima da estação de comboio da cidade, com vista para a Câmara Municipal.

 

As empresas empregam mais de 300 pessoas em Aarhus neste nicho de mercado, divididas em pelo menos seis empresas, incluindo a Danske. Muitas especializam-se em ajudar os produtores de energia a manter a rede equilibrada. Combinam os excedentes e os défices a negociar entre fronteiras nacionais e embolsam uma parte da arbitragem.

 

O mercado tem-se expandido à medida que mais países adoptam energias renováveis para cumprir metas climáticas mais rigorosas. E como, às vezes, países como a Alemanha e o Reino Unido geram a maior parte da electricidade com energia solar e eólica intermitente, os desafios para as concessionárias de energia eléctrica e para as redes são consideráveis - tanto no que se refere à gestão da oferta e da procura como no que respeita ao modo de lidar com riscos de preços.

 

(Texto original: This Viking City is Reshaping European Electricity Markets)




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