Agricultura e Pescas Cientistas voltam a pedir captura zero de sardinha em Portugal

Cientistas voltam a pedir captura zero de sardinha em Portugal

Os cientistas recomendam a Portugal e Espanha que suspendam totalmente a pesca de sardinha. Os indicadores apurados dão sinais preocupantes sobre a sustentabilidade da espécie na costa ibérica.
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Manuel Esteves 13 de julho de 2018 às 11:36

O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês) acaba de divulgar o seu parecer anual sobre a pesca da sardinha no qual reitera a recomendação de suspensão total da pesca de sardinha. E os termos usados são duros.

"Deve haver captura zero em 2019", afirma de forma peremptória o parecer científico do organismo que aconselha a Comissão Europeia sobre estas matérias. A explicação é simples: o nível de biomassa (peixes adultos, com mais de um ano) é inferior a metade do limite biológico de segurança (Blim) considerado adequado para a recuperação da espécie, lembram os cientistas.

Os indicadores são cada vez mais preocupantes. "O recrutamento [peixes que chegam à idade reprodutiva] tem estado no nível mais baixo desde 2006 e em 2017 foi estimado como o mais baixo em toda a série histórica", lê-se no parecer.  

O parecer, colocado no site da instituição, diz que "na situação atual, é impossível identificar uma captura acima de zero que seja compatível com a aboardagem MSY", ou seja, aquela que permita aumentar a biomassa de sardinhas adultas acima do limite biológico de segurança do stock (Blim). É por isso que "a mortalidade motivada pela pesca tem de ser reduzida significativamente dos níveis actuais se se quiser que o stock recupere no médio prazo".

Segundo as estimativas dos cientistas, a suspensão total das capturas de sardinha em 2019, tal como é recomendada, permitiria um aumento de 9,8% da população adulta de sardinha. A recuperação dos espécimes adultos é fundamental para assegurar a reprodução da sardinha e o aumento do stock disponível na costa ibérica. 

Depois de vários meses de interdição à pesca (período que este ano se prolongou por mais um mês do que em 2017), os pescadores foram autorizados a voltar a capturar sardinha a partir de 1 de Maio. 

Embora a Comissão Europeia ainda não tenha aprovado o plano de gestão da sardinha proposto por Portugal e Espanha, chegou a um acordo com os dois países para o corrente ano, fixando-se um limite máximo de capturas de 14.600 toneladas, das quais 67% são para Portugal. Das 9.709 toneladas que cabem ao nosso país, metade pode ser pescada até final de Julho. 

A ministra do Mar garante que o acordo, que prevê várias medidas para compensar a continuação das capturas, garante a sustentabilidade da espécie. 

(Notícia corrigida às 15h25, esclarecendo que o plano de gestão da sardinha ainda não foi aprovado pela Comissão Europeia)