Banca & Finanças CMVM quer saber se há novidades no negócio entre BPI e Isabel dos Santos

CMVM quer saber se há novidades no negócio entre BPI e Isabel dos Santos

Os inúmeros comunicados e notícias da Unitel e Oi sobre o negócio proposto pela empresária angolana ao BPI causaram dúvidas no regulador, que quer saber se há motivos para novos esclarecimentos ao mercado.
CMVM quer saber se há novidades no negócio entre BPI e Isabel dos Santos
Miguel Baltazar/Negócios

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pretende saber se há novidades na venda de 10% do Banco de Fomento de Angola (BFA) pelo Banco BPI à Unitel. Um pedido de esclarecimento que chega ao banco liderado por Fernando Ulrich (na foto) em plena troca de argumentos entre a sociedade de Isabel dos Santos e a brasileira Oi, que é contra a operação.

 

Oficialmente, o regulador apenas adianta que está à espera de esclarecimentos, conforme adiantou inicialmente o Dinheiro Vivo e confirmou o Negócios. Ou seja: o regulador do mercado de capitais quer saber se houve novos passos na operação proposta pela empresária angolana. Não havendo novidades, o regulador pode achar-se esclarecido. Se considerar o contrário, pode obrigar a novas informações ao mercado.

 

Nem da parte do regulador liderado por Carlos Tavares nem do banco liderado por Ulrich há mais explicações ao Negócios. Certo é que esta posição da CMVM chega quando, nos últimos dias, várias têm sido as notícias em torno do proposto negócio de 140 milhões de euros entre BPI e Unitel.

 

No sábado, 23 de Janeiro, a empresa PT Ventures, através da qual a brasileira Oi tem 25% na angolana Unitel, reforçou que uma decisão judicial em Paris impede que a Unitel compre ou venda activos, pelo que, na sua óptica, não pode comprar 10% do BFA ao BPI.

 

A Unitel é, neste momento, minoritária no BFA, sendo que o banco português detém a maioria do capital. Contudo, o BPI está obrigado a reduzir a sua exposição a Angola, por a supervisão bancária no país não ser considerada equivalente da europeia, e Isabel dos Santos propôs esta operação de compra.

 

A angolana considera que pode negociar sozinha com o BPI, sem autorização da Oi. A brasileira diz que há um acordo parassocial que obriga à referida autorização. Apesar da oposição brasileira, as negociações entre BPI e Isabel dos Santos avançam. Mas não podem durar muito: BPI e Unitel têm até domingo, 31 de Janeiro, para chegar a um entendimento, uma vez que o prazo de validade da oferta de Isabel dos Santos, que controla a gestão da Unitel, termina no final do mês.

 

Esta proposta de compra de 10% do BFA ao BPI é a alternativa encontrada por Isabel dos Santos para a resolução do problema de excesso de concentração de riscos do banco português em Angola. Mas a gestão de Fernando Ulrich tinha outra ideia em mente: a separação dos activos africanos do BPI para uma nova sociedade, que manteria os mesmos accionistas mas que seria independente do BPI.

Esta segunda-feira, o BPI encerrou a perder 0,10% para 0,989 euros por acção. 

 




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