Energia Combustível ilegal abre guerra entre Prio e Intermarché

Combustível ilegal abre guerra entre Prio e Intermarché

A importação ilegal de combustível provocou uma troca de acusações entre as duas empresas concorrentes.
Combustível ilegal abre guerra entre Prio e Intermarché
André Cabrita-Mendes 26 de fevereiro de 2018 às 21:58
A Prio e o Intermarché são concorrentes no mercado nacional de combustíveis. Mas a rivalidade entre as duas gasolineiras subiu de tom com a guerra de palavras devido ao contrabando de combustíveis.
Tudo começou quando o presidente da Prio, Pedro Morais Leitão, acusou o Intermarché de negociar com empresas que foram acusadas de importação ilegal de combustíveis de Espanha pelo Estado, que exige agora o pagamento de 48 milhões. "Ao longo destas várias notícias que foram saindo foi identificado claramente que há lojas do Intermarché que vendem combustíveis importados nesse formato ilegal. Que existam pequenas empresas a fazer contrabando não nos parece um problema. Agora que haja grandes empresas a apoiar os contrabandistas é uma coisa mais grave", acusou o presidente da Prio, Pedro Morais Leitão, em entrevista ao Negócios e Antena 1.

"Tal como no passado se fazia contrabando de tabaco em Elvas, está-se aqui a fazer contrabando de combustíveis para o país inteiro. E achamos inaceitável que haja uma empresa grande, visivelmente a apoiar essa actividade, e que não seja de alguma forma penalizada. A imagem do Intermarché parece-me estar em jogo nesta questão", afirmou o líder da Prio.

Em reacção, a cadeia de supermercados disse que a acusação da Prio é "falsa" e que o "objectivo passa por atingir o Intermarché no seu bom nome" por ser sua concorrente. "Por que é o senhor [presidente da Prio] vem falar da forma como falou do Intermarché, que é a empresa que faz frente à Prio? Nos negócios não pode valer tudo. Foi uma postura completamente infeliz", disse ao Negócios o administrador do Intermarché, João Magalhães.

A empresa disse ainda que foi  abordada pela Prio com o objectivo de se tornar sua fornecedora. Mas a rede de supermercados argumenta que não aceitou porque quer manter a "boa relação comercial" que tem com os seus dois fornecedores habituais – a Galp e a Repsol –; porque não "reconhece qualidade acrescida nos produtos da Prio"; e pelo facto da Prio fornecer outra empresa concorrente do Intermarché, o que poderia "configurar, senão falta de ética, pelo menos alguma promiscuidade comercial".

Questionada sobre esta abordagem comercial, a Prio respondeu que nunca poderia contactar com uma proposta "já que qualquer negócio com essa empresa seria juridicamente impossível". "Possuímos um contrato de exclusividade com o Pingo Doce, que muito prezamos, e que nos impede de comercializar combustíveis com a sua concorrência, caso do Intermarché", disse fonte da Prio.

"No entanto, no âmbito da sua actividade a Prio mantém contactos regulares com a maioria dos actores do mercado e o Intermarché não será excepção", acrescenta a empresa liderada por Pedro Morais Leitão.

Segundo um relatório de 2017 da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro), o contrabando de combustível desde Espanha poderá ter lesado o Estado português em 200 milhões de euros ao longo dos últimos quatro a cinco anos, avançou o Jornal de Notícias recentemente.



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comentários mais recentes
Armando Cardoso 27.02.2018

Entre estados da UE, é livre a circulação de pessoas e bens. Os combustiveis são um bem, e como tal, podem ser comercializados de qualquer forma, menos roubados. Assim, o Intermarché ou qualquer outra entidade os podem adquirir sem limitações. A Prio está a abusar nesta denúncia anti-concorrencial.

Anónimo 27.02.2018

"poderá ter lesado o Estado português em 200 milhões de euros"
até parece que foi roubado dos cofres do Estado 200ME...

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