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Comissão de trabalhadores da PSA: "A luta pode passar pela paralisação"

Defraudados nas expectativas e revoltados face à decisão unilateral da administração da PSA de Mangualde de prescindir de 350 trabalhadores, a comissão de trabalhadores (CT) da fabricante automóvel afirma ao Negócios que todos os cenários de protesto estão em aberto. "Tudo está em cima da mesa, a luta pode passar pela paralisação, ou manifestações públicas", afirma o presidente da CT, Jorge Abreu.

João Carlos Malta joaomalta@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2012 às 16:08
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Este responsável não estabelece um “timing” para eventuais acções de reivindicação dos trabalhadores, mas diz que até à próxima quarta-feira serão feitos contactos informais com entidades públicas e privadas. E deixa um repto a todos os 900 trabalhadores da empresa que mantêm os seus empregos “Esta é altura de nos mantermos unidos, porque hoje são outros, mas amanhã podemos ser nós”.

Apesar de reconhecer que os contratos assinados com os trabalhadores agora dispensados se destinavam a uma encomenda extraordinária e tinham o prazo de seis meses, Jorge Abreu diz que foram criadas pela administração expectativas reais de que o terceiro turno seria para manter. Esse facto levou a que o conjunto dos operários fizesse esforços suplementares para garantir que os seus companheiros manteriam os postos de trabalho.

“Foram pedidos sacrifícios a todos os trabalhadores, sendo que neste momento a maioria tem um banco de horas negativo de 260 horas. O que quer dizer que vão ter de compensar a empresa com sábados, domingos ou feriados de trabalho. Os trabalhadores aceitaram fazê-lo para que fossem mantidos todos os postos de trabalho”, relembra Abreu.

“Parecia uma brincadeira de Carnaval”

Apesar de nos últimos dias, a ideia de suspensão do terceiro turno ter sido ventilada, “não era esperada”. Ontem à noite, quando a o facto se confirmou a reacção foi de estupefacção. “Aquilo parecia uma brincadeira de Carnaval”, disse ao Negócios Jorge Abreu. Apesar das tentativas da CT de hoje iniciar negociações com a administração, a decisão foi dada como “definitiva”. “A empresa não esteve aberta a outra solução”, sublinha Abreu.

“Lamentamos muito esta decisão. Nem conseguimos que fossem encontradas soluções de apoio social a estes trabalhadores”, acrescenta.
O presidente da CT diz que esta situação lhe fez lembrar o ano de 2009, em que 500 operários foram dispensados da fábrica de Mangualde. E há trabalhadores que passam por este drama pela segunda vez.

“Muitos deles, já tinham sido despedidos em 2009 e regressaram, mas com salários mais baixos, o que faz com que agora tenham direito a um subsídio de desemprego menor. Será próximo do salário mínimo ou mesmo inferior”, lamentou.


CT diz que o Governo tentou manter postos de trabalho

Jorge Abreu diz saber que a administração da PSA esteve em contacto com o Governo, que terá tentado demover a empresa da sua intenção. “Mas eles [administrador] alegaram que o processo era irreversível”, salientou.

Os 350 dispensados, são trabalhadores maioritariamente entre os 20 e os 30 anos, que auferiam salários entre os 460 euros e os 520 euros. Há muitas famílias envolvidas nestas dispensas, salienta a CT. “Está e uma situação muito dura para mim e que me faz lembrar o que se passou em 2009”, enfatizou Jorge Abreu.

Salientando o esforço, a dedicação e profissionalismo dos trabalhadores “altamente precários” que agora são despedidos, Jorge Araújo diz que estes não podem ser tratados como “palhaços que são deitados ao lixo quando não são precisos”. Para o representante dos trabalhadores “há responsáveis para o actual estado da empresa” e que não são os trabalhadores”. Por fim, Abreu deixou um repto: “Quem governa tem também de criar condições para que as pessoas comprem carros”.
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