Desporto Como chegou o Sporting a esta crise e quais são os possíveis desfechos

Como chegou o Sporting a esta crise e quais são os possíveis desfechos

A assembleia-geral de sócios do Sporting deste sábado é decisiva para a direcção do clube liderada por Bruno de Carvalho, que pode cair, e para a administração da SAD, que depende do apoio do clube.
Como chegou o Sporting a esta crise e quais são os possíveis desfechos
Lusa
Pedro Curvelo 23 de junho de 2018 às 10:00

Referendo a Bruno de Carvalho

A assembleia-geral de sócios do Sporting que se realiza este sábado, 23 de Junho, tem contornos de um plebiscito à direcção liderada por Bruno de Carvalho. A reunião magna dos "leões" decorre na Altice Arena, em Lisboa, e tem início agendado para as 14:00, sendo que a abertura das portas ocorre duas horas antes. Após um período de discussão, onde o presidente do clube poderá dirigir-se aos associados presentes, os sócios irão votar pela destituição ou não do conselho directivo. O presidente da mesa da assembleia geral, Jaime Marta Soares, explicou esta quinta-feira que os sócios que se encontrarem nas filas para votar às 20:00, hora prevista para o encerramento das votações, ainda o poderão fazer.

Cenários possíveis
O resultado da votação dos sócios na assembleia-geral pode levar a dois cenários: a continuidade da direcção liderada por Bruno de Carvalho ou a sua destituição. Jaime Marta Soares referiu que, no primeiro cenário, irá marcar eleições para a mesa da assembleia-geral e para o conselho fiscal e disciplinar. Caso a destituição da actual direcção seja aprovada, para o que é necessário uma maioria simples, de acordo com o Record, serão convocadas eleições para os três órgãos do clube, os dois já referidos e o conselho directivo. Marta Soares sublinhou que Bruno de Carvalho poderá candidatar-se a essas eleições "se tiver as quotas em dia e se quiser". Se for destituída a direcção do clube, a administração da SAD ficará sem o apoio do maior accionista.

Crispação começa em Abril
A crispação no interior do Sporting começou a acentuar-se a 5 de Abril, após a derrota do Sporting no terreno do Atlético Madrid. Bruno de Carvalho recorreu às redes sociais para criticar vários jogadores. No dia seguinte, a maioria dos jogadores reagiu de forma negativa às críticas do presidente. Bruno de Carvalho ameaçou suspender os jogadores, mas acabaria por recuar. A derrota com o Marítimo na derradeira jornada, a 13 de Maio, que deixou o Sporting de fora da Liga dos Campeões, levando a novas críticas do presidente aos jogadores. A 15 de Maio registou-se o episódio mais negro da crise sportinguista quando um grupo de adeptos encapuzados invadiu a Academia, em Alcochete, e agrediu jogadores, treinadores e elementos do staff. As declarações de Bruno de Carvalho, demarcando-se dos incidentes mas deixando no ar a ideia de que os jogadores teriam provocado a ira dos adeptos, deixavam adivinhar uma ruptura. Após os acontecimentos em Alcochete, a contestação a Bruno de Carvalho aumentou, com Jaime Marta Soares a apelar para que se demitisse e a convocar uma assembleia-geral destitutiva do clube para 23 de Junho. Pelo meio, Álvaro Sobrinho, da Holdimo, o segundo maior accionista da SAD, exigiu a saída de Bruno de Carvalho também da sociedade desportiva. Tal como o banqueiro José Maria Ricciardi e outras figuras conhecidas do universo sportinguista.

Rescisões em série
A 1 de Junho começou um novo capítulo na crise do Sporting com a primeira rescisão unilateral de um jogador. Rui Patrício entregou a sua carta de rescisão invocando temer pela sua vida. Ainda nesse dia, Daniel Podence imitou o guarda-redes internacional. A 6 de Junho, o treinador Jorge Jesus e a SAD rescindiram por mútuo acordo. A 11 de Junho, Gelson Martins, Bruno Fernandes, William Carvalho e Bas Dost rescindiram. Três dias mais tarde foi a vez de Rúben Ribeiro, Rafael Leão e Battaglia apresentarem as respectivas cartas de rescisão, elevando para nove o total de saídas de Alvalade. Até agora, apenas Rui Patrício já assinou por outro clube.

"Overdose" mediática 
Desde o final da I Liga, a 13 de Maio, até 18 de Junho, que a presença do Sporting e de Bruno de Carvalho na comunicação social tem sido avassaladora. Segundo dados da Cision, fornecedora de software e serviços para profissionais de comunicação, a que o Negócios teve acesso, o tempo de antena em TV e rádio dedicado ao Sporting ascendeu a 911 horas, com um total de mais de 29 mil notícias. No mesmo período, Bruno de Carvalho foi tema de mais de 17 mil notícias e de 212 horas na TV e rádio. O Benfica foi alvo de perto de 12 mil notícias e de 403 horas, enquanto o FC Porto, que se sagrou campeão, foi tema de 9.727 notícias e de 321 horas.




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