Saúde Compra da EID pela inglesa Cohort só agora chega à Concorrência

Compra da EID pela inglesa Cohort só agora chega à Concorrência

A compra da tecnológica portuguesa EID, onde o Estado detém 43%, foi firmada pela inglesa Cohort no Verão passado mas só agora é que chegou à Autoridade da Concorrência. O negócio, que envolveu também as compras das participações da Efacec e da alemã Rohde & Schwarz, foi fechado por 19 milhões de euros.
Compra da EID pela inglesa Cohort só agora chega à Concorrência
Paulo Duarte/Negócios
Rui Neves 19 de janeiro de 2016 às 08:00

Só no passado dia 11 de Janeiro, mais de cinco meses depois de ter sido anunciada a aquisição pela britânica Cohort da portuguesa Empresa de Investigação e Desenvolvimento de Electrónica (EID), é que a Autoridade da Concorrência foi formalmente notificada da operação, que é protagonizada, do lado da adquirente, pela sua participada Thunderwaves.


O calendário do processo de aquisição acabou por não corresponder às expectativas da Cohort. 
"Estamos à espera da finalização do lado do governo [português]. Precisa da autorização dos Ministérios das Finanças e da Defesa [na altura liderado por Aguiar-Branco (na foto)]. As outras condições foram cumpridas, por isso espero que o negócio esteja concluído nas próximas semanas", dizia o CEO da Cohort, Andrew Thomis, em Setembro, à agência Lusa.

Andrew Thomis revelou que já conhecia a EID antes de o processo de privatização ser anunciado, pelo que a Cohort não hesitou em fazer da empresa portuguesa a primeira aquisição estrangeira desde a fundação, em 2006. "Tem tecnologia de classe mundial, o que se reflecte pelas muitas vendas, é uma PME, o que encaixa bem no nosso portfólio, e é uma empresa ágil, o que implica que não exige muito capital pois é sobretudo conduzida pelo talento dos trabalhadores", justificou.

Thomis garantiu ainda, na altura, que a EID iria "manter a sua identidade, nome e marca", continuando a ser uma companhia portuguesa. "Não a vamos integrar em nenhuma das nossas outras empresas", afiançou o executivo.


Controlada em 43,09% pelo Estado português, a EID foi vendida à única entidade que apresentou uma proposta de compra da empresa. A Cohort desembolsa 19 milhões de euros para ficar com 99,98% da tecnológica portuguesa, participação que resulta da compra conjunta das posições da Empordef, "holding" estatal das indústrias de Defesa (38,57%), Iapmei (4,52%), Efacec (27,24%) e dos 29,65% da alemã Rohde & Schwarz.


Especialista na concepção e fornecimento de equipamentos e sistemas tecnologicamente avançados, destinados sobretudo ao mercado de defesa e segurança, a EID emprega cerca de 140 pessoas e fechou 2014 com lucros de 1,4 milhões de euros e uma facturação de 14,5 milhões de euros, com as exportações a gerarem mais de metade das vendas. 




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