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Compra da posição na Secil pode tornar balanço da Semapa ainda mais apertado

A Semapa revelou ontem à noite que vai tentar exercer a opção de compra para ficar a controlar 100% da Secil. Uma operação que os analistas do BPI classificam de positiva, pois irá permitir à Semapa apropriar-se dos resultados da cimenteira, mas que levanta problemas ao nível do balanço.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 29 de Outubro de 2009 às 11:42
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A Semapa revelou ontem à noite que vai tentar exercer a opção de compra para ficar a controlar 100% da Secil. Uma operação que os analistas do BPI classificam de positiva, pois irá permitir à Semapa apropriar-se dos resultados da cimenteira, mas que levanta problemas ao nível do balanço.

Em comunicado a Semapa anunciou que “iniciou um conjunto de procedimentos com vista à avaliação da Secil e ao eventual exercício de um direito de opção de compra da totalidade das acções representativas do capital social da Secil detidas pela CRH”.

A empresa irlandesa detém 45,126% do capital da Secil e 49% dos direitos de voto e, segundo a Semapa, irá opor-se a esta intenção da Semapa e por isso recorrer à via arbitral prevista no acordo parassocial.

Na nota de “research” diária o BPI classifica esta notícia de “potencialmente positiva”, ficando dependente do preço que a Semapa terá que pagar para controlar 100% do capital da sua participada dos cimentos.

O BPI lembra que a Semapa tinha vendido a posição à CRH por 372 milhões de euros, um valor que um valor que implicava uma avaliação da empresa em 961 milhões de euros. Tendo em conta a previsão do EBITDA para 2009 e o mesmo múltiplo do primeiro negócio, o BPI diz que a cimenteira fica avaliada em 991 milhões de euros. Abaixo dos 1,307 mil milhões de euros que o BPI avalia a Secil.

“Com esta iniciativa, a Semapa pode absorver os ‘cash flows’ da Secil a um preço muito bom”, refere o BPI, que pela negativa destaca que a empresa liderada por Pedro Queiroz Pereira tem já um “balanço apertado”, com um rácio dívida líquida/EBITDA de 3,7 vezes.

Com esta possível compra, o “balanço ficará ainda mais apertado”, diz o BPI, que ainda assim destaca que com o facto de a Semapa passar a apropriar-se de 100% do EBITDA da Secil, a dívida da Semapa ficará entre 4 a 4,4 vezes o EBITDA.

Além disso, assinala o BPI, a Semapa se concretizar este negócio acentuará o seu estatuto de “holding”, onde a pasta e papel terá um menor peso.

Por isso, o BPI conclui que este possível reforço da Semapa na Secil tem um impacto negativo na Portucel, uma vez que diminui as probabilidades de a Semapa retirar a Portucel de Bolsa, sobretudo através de uma oferta em dinheiro. “uma troca de acções ainda é possível, embora possa ser vista como menos provável nesta altura”, refere o BPI.

As acções da Semapa sobem 1,89% para 7,54 euros e a Portucel ganha 1,06% para 1,91 euros.

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