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Conheça as ferramentas para financiar o seu negócio

Existem formas diferentes de acesso ao crédito e algumas delas variam de acordo como quem o pede. O Negócios fez um levantamento e mostra-lhe quais as ferramentas financeiras que mais se adaptam à sua empresa, em função da dimensão da mesma.

Negócios 27 de Janeiro de 2014 às 23:28
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Por exemplo, para empreendedores existem soluções como o microcrédito ou o "crowdfunding". Já as pequenas e médias empresas têm o óbvio crédito bancário, mas também podem recorrer à bolsa, ao capital de risco ou à emissão de papel comercial.

 

Para as grandes empresas repete-se a ementa do mercado de capitais e do papel comercial, mas também é viável financiarem-se através da emissão de obrigações ou recorrendo aos fundos comunitários

 

1. EMPREENDEDORES

 

Crédito pessoal. Financiar um projecto pode sair caro

Para muitos portugueses um crédito pessoal serve para pagar as férias, comprar um electrodoméstico ou até um automóvel usado. Mas também pode ser a fonte de financiamento para um novo projecto. Todos os bancos têm este produto, e há também várias financeiras no mercado que apresentam esta solução aos seus clientes. Os montantes não são, regra geral, muito elevados dado que a garantia dada pelo cliente à instituição é nula. Por esse motivo, as taxas praticadas tendem a ser elevadas. Segundo o Banco de Portugal, neste trimestre, a taxa anual de encargos efectiva global (TAEG) não pode ser superior a 17,2%.

 

Microcrédito. Uma solução que permite criar o próprio emprego

Está desempregado, tem uma ideia de negócio, mas não tem dinheiro? Pode haver uma solução. O microcrédito consiste num financiamento de montantes inferiores ao crédito tradicional. Habitualmente, as condições são mais favoráveis, nomeadamente no que diz respeito aos juros cobrados, aos prazos de reembolso e às garantias associadas. Alguns bancos nacionais apresentam soluções autónomas de microcrédito. Mas, paralelamente, as instituições financeiras estabeleceram também protocolos com algumas associações para disponibilizar este financiamento.

 

Linhas do Estado. 50 milhões para o arranque de novos projectos

O Governo anunciou este mês a criação de uma nova linha de apoio a "start-ups" no valor de 35 milhões de euros. O Estado irá ainda disponibilizar 15 milhões de euros, através de "business angels", para apoiar o arranque de novos projectos empresariais. Esta linha, destinada a empresas recém-criadas que procuram um modelo de negócio que crie valor para os proprietários, será activada durante o primeiro mês do ano. A Portugal Ventures, (sociedade de capital de risco estatal), defende o Executivo, passará a ter um papel totalmente focado na fase inicial e arranque das empresas.

 

Crowdfunding. Encontrar novas formas de financiamento

O financiamento colaborativo parece que veio para ficar. Portugal está a dar os primeiros passos no "crowdfunding", mas os números apontam crescimento. As regras são simples, o empreendedor inscreve o projecto e faz o seu pedido de financiamento. Caso garanta 100% do financiamento propõe-se a atribuir recompensas aos seus investidores. A PPL tem sido uma das plataformas com mais sucesso, mas outras começam agora a testar novas formas de colaboração. A Olmo propõe-se a apoiar projectos sociais, enquanto a Zarpante quer ajudar ao financiamento de projectos culturais. 

 

2. PME

 

Linhas do Estado. Apoio bonificado vale 4,5 mil milhões de euros

O crédito às empresas é um dos temas que mais interessam aos gestores e empresários nacionais. Depois de uma época de juros baixos no pré-crise, o pós-2009 trouxe uma nova realidade em que as restrições que a banca coloca para a concessão de crédito se tornaram rigorosas. Há quem defenda que esses excessos levaram a que muitos negócios que não tinham de cair, acabassem por desaparecer. Para fazer face a esta situação, o Estado tem colocado ao serviço do tecido empresarial um conjunto de soluções para diminuir estes problemas. O somatório destas linhas ronda os 4,5 mil milhões de euros.

 

Crédito bancário. Mais acessível para as exportadoras

A banca está, aos poucos, a voltar a dar crédito às empresas. Depois de ter "fechado a torneira" durante a crise, o sector começa a acelerar o ritmo de financiamento. Praticamente todos os bancos têm avançado com campanhas de promoção das várias linhas de crédito (próprias, mas também através de protocolos) que têm disponíveis para emprestarem a pequenas e médias empresas, nomeadamente aquelas que num momento que é ainda de viragem da economia nacional estão apostadas em crescer lá fora, impulsionando as exportações portuguesas. As taxas exigidas ainda são elevadas, mas nalguns casos ficam-se pelos 5%.

 

Capital de risco. Uma solução para empresas em "stress"

O "private equity", ou capital de risco, caracteriza-se por entrar no capital das empresas que apresentam necessidades financeiras. O retorno desse investimento tende a ser obtido mais tarde aquando da alienação da posição na companhia que, potencialmente, terá uma situação mais confortável. Nos últimos anos, contudo, a actividade mudou. Num relatório divulgado no ano passado, referente a 2012, a CMVM notou que o capital usado para financiar a actividade das empresas participadas disparou. A rubrica "outros investimentos" cresceu 71,1% para 1.629 milhões de euros. Destes, 80% diz respeito a suprimentos, ou seja, empréstimos às empresas.

 

Bolsa. Alternativa de financiamento ao crédito bancário

O mercado de capitais pode funcionar como alternativa de financiamento ao crédito bancário. Entre as opções do mercado de capitais estão as acções e as obrigações. Actualmente, o mercado tem soluções à medida de cada empresa, seja ela de pequena, média ou grande dimensão. Os empresários devem, assim, conhecer as várias plataformas e os seus custos e exigências. O EasyNext é à medida das pequenas empresas, a Alternext está disponível para dispersões a partir de 2,5 milhões de euros e o Euronext é o mercado mais exigente. Todos apresentam características e custos diferentes.

 

Papel comercial. Vai estar acessível às PME

A emissão de papel comercial já é possível para as grandes empresas. Agora, o Governo apresentou, em Conselho de Ministros, um diploma que altera os requisitos das emissões de papel comercial, "tornando mais flexíveis as emissões dirigidas a investidores institucionais, sem se prejudicar os requisitos de segurança e transparência aplicáveis às emissões que se destinem a investidores não qualificados". O objectivo é facilitar o acesso deste instrumento de financiamento a mais empresas, que até agora não tinham acesso a esta modalidade. O papel comercial assume-se, assim, como mais uma alternativa ao crédito.

 

3. GRANDES EMPRESAS

 

Bolsa. Um "mar" de investidores para reforçar capital

Além de ser uma fonte de financiamento, nomeadamente para empresas mais pequenas, a bolsa pode ser um bom aliado das grandes cotadas no objectivo de apresentarem rácios de capital sólidos. Esta "ferramenta" tem sido utilizada nos últimos anos por muitas empresas para reforçarem os seus capitais, especialmente as do sector financeiro que, fruto da crise, se viram obrigados a reconhecer elevadas perdas. Tirando partido do elevado número de investidores a que a bolsa dá acesso, várias instituições financeiras têm conseguido, nos últimos anos, colocar novos títulos no mercado.

 

Obrigações. Mercado volta a abrir-se para as cotadas

O mercado de dívida é uma das principais fontes de financiamento das grandes empresas. Nos últimos anos, fruto da crise, a colocação de obrigações junto de investidores internacionais esteve vedada, dada a percepção de risco das companhias portuguesas lá fora. A opção recaiu na emissão de títulos de dívida para investidores de retalho, oferecendo-lhes juros elevados. Com a melhoria da imagem de Portugal, as cotadas voltam a contar com os institucionais para obterem liquidez, conseguindo taxas mais atractivas. BES e BPI, duas das empresas que recorreram já este ano aos mercados, pagaram taxas entre 4% e 5,25%.

 

Fundos europeus. Governo quer arrancar já este ano com apoios

É objectivo do Governo que o novo QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional, que tem a designação de Portugal 2020, chegue às empresas, sob a forma de linhas de financiamento a projectos, durante o segundo semestre do ano. No anterior programa (2007-2013), demorou um ano e meio até que o QREN estivesse activo e a chegar ao tecido empresarial. A ideia é que não haja um corte temporal neste instrumento de financiamento. São 21 mil milhões de euros para impulsionar o sector transaccionável, depois de os anteriores programas terem tido um forte contributo para as infra-estruturas em Portugal.  

 

Papel comercial. Alternativa ao financiamento na banca

O papel comercial é largamente utilizado pelas grandes empresas portuguesas. São várias as cotadas da bolsa nacional que recorrem a estes títulos para cobrirem necessidades de curto prazo ditadas, muitas vezes, por exigências de fundo maneio. O papel comercial, que tende a ser emitido por prazos inferiores a um ano (mas podem chegar a dois anos), tende a ser visto pelas empresas como uma alternativa a uma linha de crédito num banco. Estes títulos podem pagar taxas de juro fixas ou variáveis, sendo que na maioria dos casos acabam por ser subscritos por fundos de tesouraria dada a elevada liquidez que oferecem.

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