Empresas Crescimento de 10%? Previsões de lucros estão demasiado otimistas

Crescimento de 10%? Previsões de lucros estão demasiado otimistas

Os investidores estão a comprar com base em estimativas muito otimistas para 2020, mas é difícil explicar de onde virá esse crescimento.
Crescimento de 10%? Previsões de lucros estão demasiado otimistas
Reuters
Bloomberg 15 de outubro de 2019 às 18:25

A época de resultados dos EUA arranca esta semana, com a apresentação das contas dos grandes bancos relativas ao terceiro trimestre. As expectativas estão baixas, com os analistas a preverem que as empresas americanas reportem uma queda de 3% dos lucros quando comparado com o ano passado. Mas o mais importante é o que as empresas vão dizer sobre o futuro, e neste aspeto, esta época de resultados pode ser um "make or break" [impulsionar ou pressionar] para o mercado bolsista.


Apesar de os analistas terem cortado as estimativas para 2019 ao longo do ano – reviram em baixa as suas estimativas para o terceiro trimestre, por exemplo, de uma previsão inicial de aumento de 5,3% para uma queda – têm mantido inexplicavelmente as suas projeções para 2020, apontando para um aumento de lucros de 10% no próximo ano.

 

Um estudo mostrou no mês passado que mais de metade dos administradores financeiros dos EUA antecipa que a economia vai entrar em recessão dentro de um ano, com o otimismo no nível mais baixo desde 2016. "O número de CFO a ficarem mais pessimistas supera os que estão a ficar mais otimistas com uma margem de cinco para um", afirmou o professor de finanças, John Graham, o autor do estudo acima mencionado.

 

Os analistas acreditam mesmo que um crescimento de 10% dos lucros é atingível? Brevemente saberemos a resposta a esta questão porque agora é o momento em que empresas, investidores e analistas começam a focar-se no ano seguinte. A imprevisibilidade da guerra comercial entre os EUA e a China tornou impossível às empresas preverem efetivamente que receitas terão no próximo trimestre, quanto mais em 2020. E é difícil dizer de onde poderá vir o crescimento dos resultados.  

 

O Institute for Supply Management (ISM) revelou que o índice de atividade industrial caiu para o nível mais baixo desde 2009, mais abaixo do nível onde esteve quando o crescimento dos lucros estagnou, no final de 2014 e meados de 2016. Talvez mais problemático, o indicador de atividade dos serviços do ISM, de longe a maior parcela da economia, caiu para o valor mais baixo desde 2016.

 

Tudo más notícias na frente doméstica, mas o cenário internacional não é melhor. Isto é importante porque os membros do S&P500 geram até 40% das suas receitas fora dos EUA. Quando, no mês passado, a OCDE atualizou as suas previsões para o crescimento do produto interno bruto (PIB) mundial, cortou a sua estimativa de crescimento dos EUA para 2019 em 0,3 pontos percentuais para 2%, enquanto reduziu a sua previsão para a economia do G20 como um todo em 0,4 pontos percentuais para 3,2%. A sua estimativa de crescimento mundial de 2,9% este ano vai representar o pior desempenho desde a crise financeira mundial.

 

Onde as coisas se tornam interessantes é quando se compara a previsão de resultados do S&P500 com índices que têm empresas mais pequenas que não estão expostas ao abrandamento mundial como as grandes ou as multinacionais.

 

O estratega responsável pela área de ações dos EUA do Morgan Stanley, Michael Wilson, realçou numa nota de análise que as previsões dos analistas para os resultados dos membros do S&P MidCap 400 para os próximos 12 meses diminuíram 3,7%, enquanto os resultados para o índice Russell 2000 foram cortados em 6,3%. A consequência é que é apenas uma questão de tempo até que as estimativas para os membros do S&P500 desçam também.

 

É um perigo para o mercado bolsista porque parece que os investidores estão a comprar com base nas atuais previsões otimistas para 2020. O S&P500 está a negociar a 16 vezes os lucros estimados para o próximo ano.

 

A ausência de crescimento de resultados significa que o mercado bolsista está cada vez mais dependente da Reserva Federal (Fed) e da continuação do corte de juros para apoiar avaliações elevadas. "É pouco provável" que a época de resultados "forneça o ímpeto necessário para estimular o entusiasmo sobre o futuro", salientaram os estrategas de ações da Bloomberg Intelligence, Gina Martin Adams e Michael Casper, numa nota publicada a 3 de outubro.

 

(Texto original: 10% Growth? Earnings Are About to Meet Reality)




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