Media CT da RTP considera "escândalo sem fim" contratação de jornalistas para direcção

CT da RTP considera "escândalo sem fim" contratação de jornalistas para direcção

A Comissão de Trabalhadores da RTP considerou esta sexta-feira que a contratação de duas jornalistas externas para a Direcção de Informação é um "escândalo sem fim", defendendo que o presidente da estação pública "não tem capacidade" para continuar no cargo.
CT da RTP considera "escândalo sem fim" contratação de jornalistas para direcção
Lusa 09 de novembro de 2018 às 21:12

"Não cabe a esta comissão pronunciar-se sobre as escolhas legítimas da directora de informação ou sobre as capacidades das jornalistas agora contratadas, sobre as quais nada temos a dizer, mas cabe considerar que a validação destas contratações de luxo pela administração da RTP é um escândalo sem fim", refere em comunicado a Comissão de Trabalhadores (CT).

 

As jornalistas Cândida Pinto, da SIC, e Helena Garrido, que foi directora do Jornal de Negócios, irão integrar a nova direcção da RTP, confirmou à Lusa fonte oficial da televisão pública.

 

As duas profissionais passam, assim, a ser directoras-adjuntas da estrutura liderada por Maria Flor Pedroso, que foi nomeada directora há mais de um mês, na sequência da saída de Paulo Dentinho.

 

Mantêm-se como adjuntos António José Teixeira e Hugo Gilberto (no Porto). A nova direcção terá, ainda, como subdirectores, Alexandre Brito, Joana Garcia e Rui Romano.

 

No comunicado, a CT salienta que foi surpreendida com o anúncio da contratação.

 

"Numa empresa onde os trabalhadores já ultrapassam os dez anos sem qualquer actualização salarial e que se recusa a reconhecer a justiça para centenas e centenas de trabalhadores precários, muitos deles jornalistas, o seu presidente considera absolutamente normal contratar mais celebridades e insultar, na cara, cada um dos trabalhadores a seu cargo", frisa.

 

A CT explica que, apesar de a RTP ter quase quatro centenas de "profissionais competentes", a directora de informação da televisão "tem toda a legitimidade para propor a contratação de quem quiser, mas este Conselho de Administração, e nomeadamente o seu presidente, não tem, nem a moral, nem legitimidade para aceitar essas contratações".

 

"Ao fazê-lo revela que não tem a mínima capacidade para continuar à frente dos destinos da empresa nesta fase conturbada da sua história", acrescenta.

 

Além disso, a comissão defende uma "imediata intervenção" do Governo na empresa.

 

"Os trabalhadores da empresa aguardam justiça e aguardam que o Governo acorde finalmente do 'Síndrome de Estocolmo' em que se encontra, para resolver o 'caso RTP'. É inaceitável que uma administração de uma empresa pública, que não cumpre decisões judiciais para integração nos quadros, peça agora excepções ministeriais para estas contratações. É ainda mais inaceitável se viermos a perceber que temos um Governo em Portugal que aceita passivamente esta pouca-vergonha", conclui.




pub