Banca & Finanças DBRS: Caso Novo Banco afecta confiança e acesso da banca aos mercados

DBRS: Caso Novo Banco afecta confiança e acesso da banca aos mercados

A decisão de retirar apenas parte dívida sénior do Novo Banco prejudica a confiança dos investidores e "pode atrasar o total acesso dos bancos portugueses aos mercados financeiros", segundo a agência canadiana DBRS.
DBRS: Caso Novo Banco afecta confiança e acesso da banca aos mercados
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 15 de janeiro de 2016 às 13:38

A recapitalização do Novo Banco à custa de alguns detentores de dívida sénior pode afectar todo o sistema bancário português, na óptica da agência de notação financeira DBRS. À partida, a reputação poderá ser afectada.

 

Segundo uma nota publicado esta sexta-feira, 15 de Janeiro, a operação decidida pelo governador Carlos Costa (na foto) tem a possibilidade de "aumentar os riscos reputacionais para o sector bancário português, o que poderá ter impacto sobre o sentimento e a confiança dos investidores nos bancos portugueses".

 

A agência de "rating" canadiana considera que a selecção de cinco linhas de obrigações para serem transferidas do Novo Banco para o BES ignora o princípio de "pari-passu", que é o de igualdade de tratamento perante instrumentos financeiros da mesma categoria. Contudo, houve dívida sénior que permaneceu como responsabilidade da instituição financeira liderada por Eduardo Stock da Cunha e outra, avaliada em 1.985 milhões de euros, transitou para o banco "mau". O que, diz a DBRS, "cria incertezas sobre a forma como o regulador pode tratar os credores em Portugal no futuro".

 

Esta acção, que já mereceu contestação por parte dos mais atingidos (a Pimco tem sido o grande exemplo), poderá mesmo ter um impacto mais directo nos restantes bancos do sistema: "pode atrasar o total acesso dos bancos portugueses aos mercados financeiros devido à mais fraca confiança dos investidores e a maiores custos".

 

Assim, a banca portuguesa deverá enfrentar uma pressão adicional já que a DBRS defende que poderão ser exigidos níveis de capital mais elevados para os bancos portugueses. Apesar disso, a agência canadiana sublinha que a actual capitalização "é adequada", ainda que espere que sejam exigidos "mais reforços de capital no futuro".

 

A transmissão de dívida do Novo Banco, feita com o objectivo de reforçar os seus rácios e cobrir as necessidades de capital detectadas pelos testes de stress, já tinha levado a DBRS a cortar o "rating" das obrigações do banco, classificando-as com uma notação de "CCC (elevado)", onde não aconselha o investimento por considerá-lo altamente especulativo. Tudo por conta do impacto na confiança.

 

A Fitch também comentou esta operação decidida pelo Banco de Portugal (de que o Governo português e o Banco Central Europeu já declararam não ter quaisquer responsabilidades) e defendeu que a possibilidade de transferir dívida um ano e meio depois da resolução é um risco que tem de ser incorporado nos bancos de transição. A Moody’s cortou o "rating" do Novo Banco apesar da recapitalização, acreditando que ainda há motivos para temer problemas de capital na instituição.

 




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