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DBRS: Compra do BPI pelo CaixaBank tem riscos mas também benefícios

A agência de notação financeira canadiana considera que a oferta pública de aquisição lançada pelo CaixaBank sobre o BPI, apesar dos riscos aliados à exposição a um país com dificuldades, tem os seus benefícios estratégicos.

David Ramos/Bloomberg
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 20 de Fevereiro de 2015 às 17:33
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A DBRS Ratings Limited considera que o anúncio do CaixaBank para comprar os 55,9% do BPI que ainda não detém comporta alguns riscos, mas que faz sentido a nível estratégico para um banco que tem um ‘rating’ A (baixo) e uma tendência estável.

 

Se a operação for concretizada, "a DBRS espera que o banco espanhol acabe por beneficiar, no médio prazo, do alargar da sua diversificação geográfica e de receitas através das actividades do BPI em Portugal e Angola".

 

Ao mesmo tempo, o perfil de risco do CaixaBank aumentará significativamente uma vez que o banco estará exposto aos desenvolvimentos regulatórios e económicos e ao ‘rating’ soberano nestes países, e isso poderá afectar a rentabilidade do CaixaBank, sublinha o relatório da DBRS.

 

No entanto, a agência canadiana realça também que, como o CaixaBank está ligado ao BPI há muito tempo (pertence à sua estrutura accionista desde 1995 e integra o conselho de administração desde essa altura), e atendendo à contínua melhoria dos seus próprios fundamentais subjacentes, "os riscos são geríveis".

 

A rentabilidade subjacente do CaixaBank em Espanha está a demonstrar a melhor capacidade para gerar receitas "core" e menores níveis de aprovisionamento, mas continuam a existir riscos associados ao crescimento económico em Espanha e à estabilização da qualidade dos activos, diz a agência.

 

Já a rentabilidade do banco liderado por Fernando Ulrich "continua a sofrer com as condições económicas relativamente débeis em Portugal, se bem que em menor medida do que os seus pares portugueses. E, na opinião da DBRS, os desafios que se colocam a Portugal poderão levar a uma pressão de curto prazo sobre a rentabilidade do CaixaBank", ressalva a agência no seu relatório.

 

BPI tem uma das melhores qualidades de activos na banca portuguesa

 

"O BPI tem uma das melhores qualidades de activos de entre os bancos portugueses, devido ao seu perfil de risco moderado de crédito. Contudo, o banco reportou um prejuízo de 161,6 milhões de euros em 2014, devido às pressões sobre as receitas da banca e a uma base de custos relativamente alta nas suas actividades domésticas. Em comparação, o CaixaBank registou lucros de 620 milhões de euros em 2014", salienta a DBRS, que estima que o banco espanhol ajude o BPI a racionalizar custos e a realizar sinergias, que se espera que rondem os 130 milhões de euros por ano a partir de 2017.

 

Se concretizada, a DBRS vê esta transacção como uma grande aquisição para o banco espanhol, que significará, em última análise, a plena consolidação dos activos e passivos do BPI no balanço do CaixaBank.

 

"A exposição a Portugal representará cerca de 9% dos activos e passivos agregados de ambos os bancos no final de 2014. Apesar de a exposição total a Angola parecer gerível, representando cerca de 2% dos activos acumulados dos dois bancos no final do ano passado, o BPI está sob pressão regulatória para reduzir a sua exposição a este país, uma vez que excede desde 1 de Janeiro de 2015 os limites de concentração [comumente conhecidos como ‘limites dos grandes riscos’] impostos pelo BCE", destaca a DBRS.

 

Actualmente, lembra a agência, o CaixaBank detém uma posição de 44,1% no BPI, mas os seus direitos de voto estão limitados a 20%. "A transacção visa alinhar os direitos económicos e de voto do CaixaBank no BPI. A conclusão da compra está sujeita à condição de o CaixaBank conseguir uma participação de mais de 50% no banco após a transacção e à eliminação desse limite de voto dos 20%, sendo que essa eliminação tem de ser aceite pelos representantes de pelo menos 75% dos direitos de voto (incluindo os 20% detidos pelo CaixaBank)", acrescenta, recordando que a operação está igualmente sujeita à aprovação dos reguladores, sendo esperado que esteja concluída antes do final do primeiro semestre de 2015.

 

(Notícia actualizada às 19h31)

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