Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Desde o início que o preço é o mais importante na venda do Novo Banco

"A atractividade da oferta financeira" era o mais relevante critério na definição do comprador do Novo Banco, instituição que foi capitalizada com 4,9 mil milhões de euros, 3,9 mil milhões dos quais do Estado.

Reuters
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 15 de Setembro de 2015 às 17:30
  • Partilhar artigo
  • ...

O preço de compra e venda do Novo Banco foi o factor que dificultou as negociações para a sua alienação, nomeadamente pelo impacto que as necessidades de capital da instituição teriam no preço oferecido. Mas este é o critério mais importante para definir o vencedor do processo, agora adiado. 

 

O elemento mais relevante na avaliação a fazer pelo Banco de Portugal no procedimento de venda do Novo Banco é o dinheiro: "a atractividade da oferta financeira", como define o caderno de encargos publicado a 4 de Dezembro.

 

"As propostas serão avaliadas tendo em consideração todos os seguintes critérios e por ordem de relevância decrescente:

a) a atractividade da oferta financeira contida na proposta;

b) a disponibilidade do potencial comprador para adquirir a totalidade dos activos colocados à venda na operação;

c) os planos estratégicos e de desenvolvimento para o Novo Banco e quaisquer compromissos com estes relacionados assumidos pelos potenciais compradores, e o impacto geral da operação na concorrência e estabilidade financeira do sector bancário em Portugal".

 

Na última fase do plano de venda, assessorado pelo BNP Paribas, a questão relativa ao preço foi central. Foi ela que levou, em grande medida, ao fracasso das negociações com a Anbang, a primeira seleccionada pelo Banco de Portugal para negociar a venda. O preço também esteve a dificultar o calendário de negociações com a Fosun. Assim, o Banco de Portugal optou por cancelar o processo.

 

O Novo Banco está a ser alvo de um teste de stress, cujos resultados deverão ser revelados em Novembro. Há a expectativa, confirmada por fontes do sector financeiro, incluindo ligadas ao banco, de que terá de haver um aumento de capital para suprimir as necessidades que vão a ser reveladas nos exames de esforço do Banco Central Europeu. Ou seja, os concorrentes não estavam disponíveis para pagar um preço e, depois, ter de injectar capital acima do esperado pelo que, estimando uma injecção relevante, começaram a pressionar o preço oferecido.

 

O Novo Banco recebeu uma injecção de 4,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução da banca, que assim se tornou o seu accionista único. 3,9 mil milhões de euros foram emprestados pelo Tesouro português, os restantes mil milhões vieram da banca, através das contribuições que já tinham feito para o Fundo mas também de um empréstimo extraordinário.

 

É na comparação com os 4,9 mil milhões de euros que será determinado o prejuízo na alienação do Novo Banco, que terá de ser suportado pela banca. Há mil milhões que são do sector mas se o preço oferecido pela instituição for inferior também aos 3,9 mil milhões de euros, é a banca que tem de pagar a diferença. O modo como tal será feito ainda não está decidido em definitivo, embora haja garantias do regulador de que não irá afectar o capital das instituições financeiras. 

Ver comentários
Saber mais Novo Banco Banco de Portugal Eduardo Stock da Cunha Fundo de Resolução
Outras Notícias