Banca & Finanças Deutsche Bank e Commerzbank: está dado o pontapé de saída para a fusão

Deutsche Bank e Commerzbank: está dado o pontapé de saída para a fusão

Os dois bancos anunciaram este domingo que aprovaram o início das negociações formais para a fusão entre as duas instituições, que poderá dar origem ao maior quarto banco europeu.
Deutsche Bank e Commerzbank: está dado o pontapé de saída para a fusão
Bloomberg
Negócios com Bloomberg 17 de março de 2019 às 13:59

A criação de um "campeão nacional" alemão na banca ganhou este domingo um forte impulso depois de o Deutsche Bank e o Commerzbank, ambos a atravessar um momento delicado, terem anunciado que vão avançar com conversações formais para a união dos seus dois negócios.

 

Os dois bancos "acordaram hoje o início das negociações com um desfecho aberto em relação a uma potencial fusão", diz o Commerzbank num curtíssimo comunicado. O Deutsche Bank afirma que o conselho de administração decidiu "rever as opções estratégicas" do banco, confirmando que "entraram em conversações com o Commerzbank.

 

A Bloomberg avançou esta manhã que as administrações do Deutsche Bank e do Commerzbank deveriam renuir este domingo separadamente para aprovar o início formal das negociações.

 

O início das conversações surge depois de o Governo ter sinalizado aos bancos que permitirá um corte nos postos de trabalho, essencial para viabilizar a operação. Os representantes dos trabalhadores do Deutsche Bank no conselho de supervisão do banco têm-se oposto a uma consolidação que, segundo fontes disseram à Bloomberg, pode levar à saída de 30 mil trabalhadores. Os bancos empregam, entre ambos, cerca de 133 mil pessoas.

 

O Governo alemão tem evitado comentar uma eventual fusão entre as duas instituições financeiras. No entanto, ela enquadra-se na estratégia de apostar em "campeões nacionais", anunciada pelo ministro da Economia, no âmbito do plano de industrialização até 2030. Peter Altmaier chegou a dar como exemplo o Deutsche Bank.

 

A pressão para um entendimento nunca foi tão forte. O Deustche Bank atravessa uma grave crise, que levou o valor das ações a cair em dezembro para o valor mais baixo de sempre, abaixo dos 7 euros, depois de conhecida uma investigação à unidade de gestão de fortunas do banco que poderá levar a uma coima avultada. Recorde-se que cada título chegou a valer mais de 100 euros em 2007.

 

Em dificuldades está também o Commerzbank, cujo valor é também uma sombra do que chegou a ser em 2007. Na sexta-feira o seu valor de mercado era de 8,9 mil milhões de euros, o que compara com os 16,2 mil milhões do banco com que se poderá fundir.

 

Primeira tentativa foi em 2016

 

Não é a primeira vez que as duas instituições conversam sobre uma possível consolidação. Em 2016 também existiram negociações, que chegaram a envolver os CEO, mas acabaram por terminar sem acordo, levando os bancos a optar por uma reestruturação da sua atividade.

 

Passos que não foram suficientes para operar uma reviravolta no negócio. A Bloomberg escreve que o Commerzbank deixou cair a maioria dos objetivos anunciados até 2020, depois de cortar a perspetiva de resultados. Dentro do Deutsche Bank crescem os receios de que a instituição liderada por Christian Sewing seja forçada a fazer o mesmo.

 

O Deutsche Bank está ainda pressionado por custos de financiamento mais elevados e a possibilidade de um corte do "rating". A união com o Commerzbank, que tem uma forte base de depósitos, é encarada como uma forma de reduzir aqueles custos.  

 

Por outro lado, o facto de o BCE ter estendido o horizonte para a primeira subida das taxas de juro, mantendo-as em níveis historicamente baixos, coloca pressão acrescida na rentabilidade das duas instituições já que penaliza a sua margem financeira.




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