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Directores do Société Généralé "encorajaram-me" a assumir riscos

Jerome Kerviel, o antigo operador do Société Généralé acusado de uma das maiores fraudes de sempre, afirmou que os seus directores o encorajaram a assumir riscos. Kerviel disse que não tem a certeza se é realmente o responsável pelo elevado prejuízo do banco: 4,9 mil milhões de euros.

Directores do Société Généralé "encorajaram-me" a assumir riscos
Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 09 de Fevereiro de 2009 às 10:29
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Jerome Kerviel, o antigo operador do Société Généralé acusado de uma das maiores fraudes de sempre, afirmou que os seus directores o encorajaram a assumir riscos. Kerviel disse que não tem a certeza se é realmente o responsável pelo elevado prejuízo do banco: 4,9 mil milhões de euros.

"Não há provas que o prejuízo seja inteiramente devido às minhas posições. É apenas o banco que diz isso", afirmou Kerviel (na foto) numa entrevista concedida ao canal de televisão TF1. Esta entrevista surge numa altura em que Kerviel pode ser acusado de ter violado as suas responsabilidades e pirateado os computadores. Caso seja acusado, Kerviel enfrenta uma pena que pode chegar aos cinco anos de prisão e uma multa de 375 mil euros.

Kerviel reiterou, nesta entrevista, que o banco estava a par do que ele fazia. E acusou as autoridades de não investigarem correctamente as contas do banco. Caso o tivessem feito, teriam descoberto que o banco sabia que ele ultrapassava, frequentemente, os limites da negociação, acrescentou o antigo operador.

"Reconheci os meus erros desde o início. Pensei que ao dizer aos investigadores onde encontrar a verdade, eles fossem procurá-la. Mas eles não querem. Vou lutar até ao fim", disse Kerviel, numa entrevista que durou cerca de dez minutos.

No passado mês de Dezembro, a investigação foi encerrada e o Ministério Público prepara, agora, um relatório, que decidirá se Kerviel vai, ou não, a julgamento.

Nunca me disseram para parar

Kerviel afirmou que os seus superiores sempre o congratularam pelas posições lucrativas e o encorajaram a assumir riscos. "Abriram a porta do carro, deixaram a chaves e disseram para ir dar uma volta. Em nenhuma altura foi dito: 'Parem com essa estupidez'", afirmou Kerviel. "Se eles tivessem dito para eu parar eu teria parado. Em vez de isso, continuavam a dizer: 'Bem feito'", disse.

Kerviel tinha um limite de negociação de 250 milhões de euros. Segundo o operador, era normal este valor ser superado. Kerviel revela que chegou a fazer apostas de 10 mil milhões de euros.
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