Banca & Finanças Dois conselheiros vêem Santa Casa no Montepio como "entrada indirecta do Estado"

Dois conselheiros vêem Santa Casa no Montepio como "entrada indirecta do Estado"

Viriato Silva e Carlos Areal criticam os efeitos do fim da isenção na associação Montepio como "um passe de mágica". E, dizem, "o Governo parece assinar por baixo estas medidas de cosmética".
Dois conselheiros vêem Santa Casa no Montepio como "entrada indirecta do Estado"
Miguel Baltazar/Negócios

Dois membros do conselho geral da associação Montepio são fortes críticos do fim da isenção de pagamento de IRC, que rendeu lucros à mutualista. É um "passe de mágica", segundo classificam Viriato Silva e Carlos Areal, eleitos para o órgão em 2015 numa lista concorrente à do presidente, António Tomás Correia. Ambos vêem um papel do Governo neste caminho.

 

"Num passe de mágica, coloca-se um tapete sobre os erros, omissões e maus negócios realizados em torno da Caixa Económica Montepio Geral e dos seguros e maquilha-se de uma forma legal os efeitos delapidadores que anos de crise e gestão temerária tiveram sobre as poupanças dos associados aplicadas nestes activos", considera uma carta assinada por Viriato Silva e Carlos Areal aos associados, a que o Negócios teve acesso.

 

Em causa está o fim da isenção em sede de IRC, atribuído a instituições particulares de solidariedade social, por a associação não cumprir todos os requisitos, que rendeu depois impostos diferidos de 805 milhões de euros – que retiraram a associação de prejuízos e de uma situação patrimonial deficitária. O Ministério das Finanças tem dito que o que está em causa é a aplicação da lei. Mas os dois conselheiros acreditam que há intervenção governamental.

 

"O Governo parece assinar por baixo estas medidas de cosmética, que aliás se completam com a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital da Caixa Económica Montepio Geral e representa por si só a entrada indirecta do Estado no capital da Caixa Económica", acusam, na mensagem aos associados.

A Santa Casa deverá adquirir 1% do capital da caixa económica, agora liderada por Carlos Tavares, depois de ter estado em cima da mesa o investimento de até 10%. O Governo sempre viu com bons olhos este negócio.  

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou já, no Parlamento, que "tudo" seria feito para proteger os mais de 600 mil associados. 

Apelo ao chumbo

A mensagem é enviada antes da assembleia-geral agendada para esta quarta-feira, 28 de Março, onde as contas consolidadas de 2016 e as individuais de 2017 serão votadas. "Devem ser reprovadas", dizem os conselheiros.

 

"Na nossa opinião as isenções de IRC de que sempre a associação mutualista beneficiou e lhe proporcionaram largas dezenas de milhões de euros que acrescentaram às poupanças dos associados e aos fins e objectivos da associação mutualista não podem ser mandadas "borda fora" para sempre como simples e mero acto de gestão só para permitir aos gestores livrarem-se do ónus da imagem negativa de contas onde continuam a pesar as decisões erradas de gestão do passado", contestam Viriato Silva e Carlos Areal, rostos da contestação a Tomás Correia.

O presidente do Montepio já disse que, no que diz respeito à mutualista, e depois dos créditos fiscais que vieram com o fim da isenção, o "problema está resolvido".




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