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Dois para um. É este o rácio em que Portugal se encontra para a DBRS

A DBRS vê dois pontos negativos e um positivo para Portugal. De um lado, a popularidade do Governo socialista. Do outro, a subida do custo de financiamento e o avanço débil da economia.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 30 de Setembro de 2016 às 10:23
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Dois para um. É este o rácio em que Portugal se encontra na óptica da agência de notação financeira DBRS, a única que avalia a dívida portuguesa como um nível de investimento. "Temos dois pontos negativos para um positivo", sintetiza Fergus McCormick, economista-chefe da DBRS numa entrevista à Bloomberg.

 

O lado bom: "do ponto de vista político, parece tudo bastante bom". A preparação do Orçamento do Estado para 2017 não tem criado divisões na esquerda, o que traz alguma estabilidade para o país.

 

O primeiro lado mau: "Infelizmente, as ‘yields’ das obrigações têm subido, pelo que o custo de financiamento tem aumentado". As taxas de juro associadas à dívida portuguesa têm-se agravado no mercado secundário, sinalizando um preço mais baixo dos títulos. Hoje, a "yield" no prazo a dez anos soma 7 pontos base para 3,38%, segundo as taxas genéricas da Bloomberg. Por consequência, no mercado primário também há custos maiores.


O segundo lado mau: O crescimento no primeiro semestre foi "metade do esperado". A economia nacional avançou apenas 0,3% no segundo trimestre.

 

A opinião da DBRS é central para Portugal já que a 21 de Outubro vai pronunciar-se sobre a dívida nacional (um dos motivos para que Outubro seja o mês dos riscos para a dívida nacional). E é a única agência que permite que a dívida nacional seja elegível para o programa de compra de obrigações do Banco Central Europeu. As restantes, as principais S&P, Moody's e Fitch, consideram as obrigações nacionais como um investimento especulativo. 

 

As várias entrevistas dadas por responsáveis da agência, como Fergus McCormick, têm conduzido a várias interpretações sobre o que é dito por esta agência, que classifica a dívida portuguesa com "BBB". "Estamos confortáveis com o ‘rating’ – algo que eu digo em quase todas as entrevistas – e estamos preocupados com o crescimento baixo no mundo avançado, incluindo em Portugal", sintetizou o responsável numa entrevista ao Negócios em Agosto.

 

Um aviso para as mexidas na banca

 

Para já, e de acordo com as declarações que McCormick deu à Bloomberg, não há impactos no "rating" por conta da capitalização da CGD, onde serão injectados, directamente, 2,7 mil milhões de euros em dinheiro fresco. "É um item não recorrente" que não conduz a nenhuma alteração do "rating".

 

Mas há um aviso para o trabalho que está a ser feito na banca nacional - um sector em que o Governo tem tido intervenção mas que tem ainda o Novo Banco por resolver. "É uma boa intenção tentar resolver as questões do sector bancário mas a verdade é que há um encargo muito elevado com a dívida, estão muito expostos a choques. É razão para preocupação".

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