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Draghi pede aos bancos que parem de culpar o BCE pelos seus problemas

Depois de uma reunião à porta fechada com os deputados alemães, o presidente do BCE afirmou que o problema dos bancos não se deve aos juros baixos e que os aforradores também têm alternativas.

Reuters
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 28 de Setembro de 2016 às 18:59
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O presidente do Banco Central Europeu (BCE) deixou uma mensagem bem clara aos bancos europeus que se queixam da política monetária: resolvam os vossos problemas e deixem de criticar o banco central.

 

"Muitos bancos têm problemas que não têm necessariamente que ver com o baixo nível das taxas de juro, mas possivelmente por outras razões, afirmou Mario Draghi depois de uma reunião à porta fechada com os deputados alemães, que durou duas horas.

 

Apesar de não ter mencionado nomes de bancos (o presidente do BCE nunca fala de casos individuais), um dos destinatários do recado de Draghi parece ser o Deutsche Bank. O maior banco alemão tem vivido dias turbulentos na bolsa devido aos receios de que não consiga enfrentar sozinho a multa recorde de 14 mil milhões de dólares que o Departamento de Justiça dos EUA lhe pretende aplicar.

 

"Se um banco representa uma ameaça sistémica para a Zona Euro, tal não se deve às baixas taxas de juro. Têm de existir outros motivos", acrescentou.

 

Draghi, citado pela Bloomberg, afirmou em conferência de imprensa que muitos dos problemas dos bancos europeus se devem- a questões de gestão de risco e modelos de negócio inapropriados.

 

Alemanha também benificia

O recado do presidente do BCE vai também para os políticos, já que muitos têm criticado a política monetária seguida pelo banco central, que penaliza as contas dos bancos e também as poupanças dos aforradores.

"Os aforradores, trabalhadores, empresários, pensionistas e contribuintes – de forma equilibrada e em toda a Zona Euro, incluindo a Alemanha – estão hoje melhor devido às nossas acções", afirmou o presidente do BCE.

 

Afirmando que vai manter a actual política de estímulos à economia, Draghi respondeu directamente às críticas dos alemães, afirmando que o que o BCE precisa é que as medidas que estão a ser desenvolvidas na frente da política monetária tenham um alcance total. E para isso é necessário que os governos façam a sua parte, tal como Berlim aumentar os gastos públicos.

 

"O volume e a manifestação das preocupações" para com a actuação do BCE "é definitivamente mais elevada na Alemanha", acrescentou Draghi, adiantando que "para nós não faz qualquer diferença". Isto porque "partilhamos das mesmas preocupações, mas temos a consciência que só se atingirmos o nosso objectivo de estabilidade de preços é que essas preocupações podem ser resolvidas para sempre".

 
Para os aforradores, "o mais importante é que, independentemente dos activos financeiros que tenham, podem beneficiar da recuperação da economia", referiu.

Wolfgang Schäuble tem sido uma das vozes críticas do BCE e chegou mesmo a apontar o dedo a Mario Draghi pela subida dos partidos extremistas na Alemanha.

O encontro no Bundestag foi à porta fechada mas, de acordo com o presidente da comissão parlamentar, Gunther Krichbaum, Draghi ouviu críticas mas também foi apoiado.

 

Para esta quinta-feira está previsto um encontro entre o presidente do BCE e a chanceler alemã Angela Merkel.


(notícia actualizada às 19:35 com mais informação)

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