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EDP "rejeita qualquer hipótese de negligência" nos incêndios de Outubro

O relatório da comissão técnica independente sobre os fogos do Outono aponta o dedo à companhia, que rejeita ter responsabilidades no sucedido.

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André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 21 de Março de 2018 às 15:37
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A EDP Distribuição veio a público rejeitar ser responsável pelo início dos fogos que tiveram lugar durante o mês de Outubro.

"A EDP Distribuição rejeita qualquer hipótese de negligência nos incêndios de Outubro", reagiu a empresa em comunicado divulgado esta quarta-feira, 21 de Março.

A empresa diz que detém informação que "permite afirmar inequivocamente que não ocorreu qualquer incêndio associado a queda de árvores sobre a rede na zona da Lousã".

 
"A EDP Distribuição dispõe de sistemas que monitorizam e registam, em permanência, todos os eventos relativos à exploração e operação das linhas, registos esses que permanecem disponíveis", acrescenta.


A companhia esclarece que registou apenas um "único evento" relativo à "queda de uma árvore de grande porte (11 metros) localizada fora da faixa de protecção da EDP Distribuição, cuja queda sobre a linha de média tensão não originou qualquer incêndio".

"Esta árvore foi removida pelas equipas operacionais da EDP Distribuição duas horas após a queda, tendo sido reposto o regular funcionamento desta linha não se verificando nesse momento qualquer incêndio neste local", explica.


O relatório da Comissão Técnica Independente apontou que a causa do fogo de 15 de Outubro na Lousã teve como ponto de origem as linhas eléctricas.

"A ignição com origem nas linhas eléctricas, neste caso particular em que terá sido provocada por queda de árvore sobre uma linha de média tensão, pode resultar do não cumprimento do regulamento de segurança das linhas eléctricas pela entidade gestora, a EDP", refere o relatório da Comissão Técnica Independente entregue esta terça-feira no parlamento.

Em causa está "a distância mínima de segurança dos condutores [linhas eléctricas] às árvores", que não deverá ter sido cumprida, segundo o relatório citado pela Lusa. "Trata-se, neste caso, de situações devidamente regulamentadas e cujo cumprimento pode só por si evitar situações deste tipo e todas as suas consequências".

Esta é a segunda vez que o nome da EDP Distribuição é apontado como estando na causa de um incêndio. Em Outubro, o relatório técnico independente relativo ao incêndio de 17 de Junho em Pedrógão Grande disse que o fogo teve origem no contacto entre a vegetação e as linhas de média tensão de electricidade.

Em reacção, a EDP Distribuição veio a público refutar as "acusações" apresentadas no relatório relativo ao incêndio de Pedrógão Grande.

Numa primeira reacção ao relatório, e as falhas apontadas à EDP, o Governo garantiu que serão analisadas "todas as dimensões deste relatório".

"Relativamente à EDP, como a outras entidades concessionadas de serviços públicos, estradas, ferrovias ou redes de distribuição de energia eléctrica seremos muito exigentes no cumprimento das obrigações que estão na lei desde 2006", de defesa da floresta contra incêndios", disse o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, esta quarta-feira, citado pela Lusa.

EDP Distribuição vai enviar informação para a comissão


Pela parte da EDP, devido à "hipótese referida no relatório", a empresa que já tomou a decisão de "enviar imediatamente toda a documentação que suporta esta convicção para a comissão técnica independente", informação que "já tinha sido entregue em devido tempo às autoridades competentes".

A companhia diz que a "regulamentação obriga à constituição e protecção de corredores e também de faixas de gestão de combustível que devem ter em conta as especificidades da vegetação".

Dessa forma, a EDP Distribuição diz investir anualmente 5 milhões de euros "na preservação dos corredores de protecção e nas faixas de gestão de combustível, mantendo 7,5 mil quilómetros".

"Paralelamente é efectuada a supervisão com recursos a meios aéreos e tecnologia laser numa extensão de 14 mil quilómetros. Para além disso, são feitas inspecções visuais e com recurso a drones. Relembramos que a EDP Distribuição tem 84 mil quilómetros de linhas aéreas de alta tensão, das quais 26 mil quilómetros atravessam zonas florestais", conclui a empresa.

(Notícia actualizada às 15:55)

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