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EDP Renováveis enfrenta teste da bolsa com margem para subir

A estreia da EDP Renováveis será positiva. Tem sido, pelo menos, essa a tendência das últimas entradas na bolsa nacional e é também esse o sentimento dos especialistas que, no entanto, alertam para as condições adversas dos mercados de capitais. O sentimento negativo é global e pode afectar o desempenho da nova cotada, impedindo valorizações “excessivas”.

Paulo Moutinho 04 de Junho de 2008 às 01:01
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A estreia da EDP Renováveis será positiva. Tem sido, pelo menos, essa a tendência das últimas entradas na bolsa nacional e é também esse o sentimento dos especialistas que, no entanto, alertam para as condições adversas dos mercados de capitais. O sentimento negativo é global e pode afectar o desempenho da nova cotada, impedindo valorizações “excessivas”.

“A expectativa é de alguma valorização, mas não excessiva”, afirmou ao Jornal de Negócios um gestor de fundos, que preferiu não ser identificado. “Não será como nas operações passadas, a REN ou a Martifer”, empresas que, apenas na sessão de estreia, conseguiram avançar mais de 30%. A empresa liderada por Carlos Martins teve como primeira cotação os 12,00 euros, um ganho de 50% face ao preço de venda das acções.



A EDP Renováveis “é semelhante à Martifer [no sentido em que é também uma empresa que aposta nas energias renováveis], mas é uma empresa muito maior [em negócios e em valor de mercado] e dado o actual contexto de mercado não há liquidez que permita ganhos como os que se verificaram nas últimas estreias”, salientou o mesmo gestor.

Os mercados accionistas interromperam a forte recuperação há cerca de duas semanas, penalizados pela escalada dos preços das matérias-primas (petróleo e “commodities” atingiram recordes), e por resultados aquém do esperado nas empresas. Esta semana regressaram os receios de novas perdas com o “subprime” no sector financeiro. A tensão é elevada e a aversão dos investidores ao risco sente-se nas bolsas, com a fuga a traduzir-se em sinais vermelhos nas acções.

Foi esta maior aversão dos investidores aos mercados de capitais que levou a EDP Renováveis a avançar com a venda dos títulos a desconto. De um intervalo máximo de 8,90 euros e mínimo de 7,40 euros, a Renováveis decidiu entregar as acções a 8,00 euros, isto apesar da forte procura verificada, de 88 vezes nos pequenos subscritores, e de 6,1 vezes nos grandes investidores.

“O preço veio mais ou menos dentro do esperado. Não é um desconto brutal. Não ficou no limite inferior do intervalo. É algum desconto em resultado da situação actual do mercado”, salientou outro gestor de fundos consultado pelo Jornal de Negócios, acrescentando que, “neste enquadramento há margem para ganhos”. “Não me chocava ver a EDP Renováveis entre os 8,50 e os 9,00 euros” na estreia.

O especialista sustenta a perspectiva optimista com uma eventual corrida às acções por parte de muitos investidores que não conseguiram comprar títulos durante a oferta pública, ou ficaram com poucas acções, nomeadamente institucionais, como fundos que seguem activos deste sector e os próprios fundos de acções nacionais. “A questão de entrar para o índice PSI-20 também obriga os fundos a recorrerem ao mercado de forma a conseguirem replicar o desempenho do ‘benchmark’”, explica.

Estes movimentos devem garantir uma estreia positiva, que promete ser benéfica para a carteira de acções dos quase 160 mil accionistas da EDP Renováveis. Mas, o investimento em acções não é, por definição, de curto-prazo. “É um título ideal para um perfil de médio/longo-prazo. É um dos temas mais interessantes do mercado que, no longo-prazo, terá uma valorização interessante”, salientou outro especialista.

“Quem comprou títulos da EDP Renováveis, comprou potencial. É uma empresa que está em crescimento. Não é uma ‘cash cow’. Com base no potencial, é um título de longo-prazo”, disse outro especialista ao Jornal de Negócios, sustentando a visão com a necessidade do mundo “de pensar de outra forma, em termos de energia, afastando-se da dependência do petróleo”.

“Até agora, a energia eólica [mercado no qual a EDP Renováveis é uma das maiores] é a única destas energias ‘limpas’ que apresenta provas de eficiência”, disse o mesmo responsável, que preferiu não ser identificado, apontando apenas um, mas importante, risco, de longo-prazo, às acções da nova empresa. O quadro regulatório nos EUA, onde a empresa tem a Horizon. “Há o risco do Senado vir a ceder aos ‘lobbies’ do petróleo em detrimento das energias alternativas e deixar cair os subsídios”.

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