Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Ego português com vitória curta sobre a razão?

"O ego do governo português obtém uma vitória de Pirro sobre a razão até pelo menos dia 8 de Julho". É esta a opinião de Robin Bienstock, analista da gestora Bernstein, em declarações à Reuters sobre o veto do governo português ao negócio da venda da posição da PT na Vivo à Telefónica.

Negócios negocios@negocios.pt 30 de Junho de 2010 às 18:23
  • Partilhar artigo
  • 9
  • ...
"O ego do governo português obtém uma vitória de Pirro sobre a razão até pelo menos dia 8 de Julho". É esta a opinião de Robin Bienstock, analista da gestora Bernstein, em declarações à Reuters sobre o veto do governo português ao negócio da venda da posição da PT na Vivo à Telefónica.

Uma vitória de Pirro, ou pírrica, é uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis. Ou seja, parece uma vitória, mas na verdade não o é, atendendo ao que se perde pelo caminho.

E se o ego ganhou à razão – o “Publico.es” fala hoje em “vingança” de Portugal depois de ontem ter sido eliminado por Espanha no Mundial de Futebol da África do Sul... será a isto que se refere? -, talvez essa vitória seja “sol de pouca dura” pois no próximo dia 8 o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias deverá declarar ilegal a manutenção de uma “golden share” pelo governo português – situação que se observa na PT e na EDP.

Um outro analista contactado pela Reuters fala de falta de confiança por parte dos accionistas. Na opinião de Tim Daniels, da Olivetree Securities, “esta intervenção do governo é sinal de que não só a Portugal Telecom não está para venda, como também que o accionista não tem qualquer palavra a dizer sobre o que acontece à empresa”.

“Isto demonstra uma ausência de ‘governance’ corporativa em Portugal, o que pode ser considerado um cemitério para as fusões e aquisições”, acrescentou Tim Daniels à Reuters.

Foi a primeira vez que o governo português usou a “golden share” e isso surpreendeu muitos analistas e estrategas, numa altura em que Portugal ainda se debate para atrair fundos estrangeiros devido à crise da dívida e procura manter a confiança dos investidores, salienta a Reuters.

Até o presidente da PT, Henrique Granadeiro, se mostrou surpreso, visto que não pensou que fosse caso para usar destes direitos de veto. Tal como já tinha também pensado e afirmado o CEO da operadora, Zeinal Bava.

“Não esperávamos isto”, comentou um analista da unidade de telecomunicações do banco holandês ING. “A PT tem vindo a dizer aos accionistas que, nesta situação, a ‘golden share’ não podia ser utilizada”, acrescentou.

Esta decisão do governo portuguêe “vai intensificar a complexidade jurídica da situação no curto prazo e é provável que a Telefónica desafie esta decisão”, referiu, por seu lado, Alexandra Delgado, analista do Millennium bcp.

Outros analistas acham que a operadora espanhola poderá decidir esperar por dia 8 de Julho para ver qual a decisão europeia sobre a “golden share” e só depois definir o que vai fazer. “Penso que a única coisa que a Telefónica pode fazer é esperar pela sentença de dia 8”, comentou à Reuters a responsável pelo departamento de análise bolsista do Barclays Wealth, Amanda Purton.

Ver comentários
Outras Notícias