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Empresário acusa Aguiar-Branco de "crime" lesa-indústria e nega amizade com Portas

O empresário Francisco Pita, dono da empresa portuguesa Fabrequipa que produziu veículos blindados para as Forças Armadas, negou ser amigo do actual vice-primeiro-ministro e acusou o ministro da Defesa de ser o "pior de sempre".

Bruno Simão/Negócios
Lusa 09 de Setembro de 2014 às 21:17
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O industrial do Barreiro, perante a comissão parlamentar de inquérito à aquisição de equipamento militar, adiantou ainda ter sido "obrigado" a adquirir uma empresa, a Gestão de Operações de Metalomecânica (GOM) - detentora das licenças das viaturas blindadas de rodas (VBR) 8x8 Pandur II -, através de uma outra, sediada "off-shore", por "alguns milhões de euros", para poder participar no negócio de fabrico e ter acesso a "mais de 100 e tal milhões de euros" em valor de direitos herdados.

 

"Responsabilizo o actual ministro da Defesa pelo desastre e mais ninguém. Quem matou o programa foi ele e pôs os meus 200 trabalhadores em casa, sem trabalho. Nasce como o melhor ministro da Defesa de sempre e acaba como o pior", insurgiu-se, acrescentando nunca ter visto "um ministro tão fraco, tão baixo, tão incompetente" e desaconselhando-o a "passar a ponte" para a margem sul do Tejo.

 

Em causa está a denúncia do contrato pelo Estado português e accionamento das garantias bancárias, decididas por José Pedro Aguiar-Branco devido ao incumprimento de prazos de entrega dos 260 veículos por parte dos fornecedores contratados, neste caso a norte-americana General Dynamics, que tinha adquirido a austríaca Steyr, tendo por sua vez subcontratado a portuguesa Fabrequipa.

 

Reconhecendo que o antecessor socialista, Augusto Santos Silva, também já tinha feito cinco admoestações no sentido de denunciar o acordo, Francisco Pita revelou ter votado "no atual Governo", mas acusou Aguiar-Branco de ter cometido "um crime", dizendo falar em nome dos seus trabalhadores.

 

"Não sou amigo (de Portas), não tive nenhum telefonema, nem reunião em relação aos Pandur. As únicas ocasiões em que nos cruzámos foi na Universidade Católica, onde fomos colegas, e uma vez em casa de um amigo comum, também há muitos anos", esclareceu, quando inquirido sobre eventual proximidade com o actual vice-primeiro-ministro.

 

Segundo Pita, Portas, que "está completamente limpo em todo o processo Pandur", "foi o melhor ministro da Defesa que Portugal teve". O empresário reconheceu ter sido "militante do CDS desde 1974, candidato a deputado várias vezes nesses tempos difíceis", mas abandonou o partido democrata-cristão ao mesmo tempo que um dos seus fundadores, Adriano Moreira.

 

O empresário português queixou-se da falta de planos, desenhos, especificações e outros elementos necessários ao processo de produção, justificando assim os atrasos, que atribuiu ao Estado português, designadamente aos responsáveis, entre 2006 e 2011 pelo Ministério da Defesa, Direcção-Geral Armamento e Infra-estruturas de Defesa (DGAIED) e, em certa medida, ao "prime contractor", a General Dynamics.

 

No total, terão sido entregues 166 blindados, dos quais 119 aceites pelo Exército português. Após o cancelamento do contrato, o Estado já terá de pagar cerca de 130 milhões de euros pelas 94 viaturas Pandur em falta e outras 20 anfíbias para a Marinha, embora decorra agora um processo de arbitragem.

 

Inicialmente, estavam programadas 210 veículos de determinada verão, mais 150 com especificações diversas, num negócio total de 364 milhões de euros e contrapartidas para Portugal de mais de 500 milhões de euros.

 

Ainda sobre a compra da GOM, com cujos accionistas disse não ter tido relações directas, mas antes através de uma sociedade de advogados, o industrial declarou primeiro preferir não referir nomes, mas instado a clarificar a situação pelo deputado socialista Neto Brandão, referiu não se recordar, embora prometendo ir ver as mais de 7.000 folhas de documentos em sua posse e enviar os relevantes ao Parlamento.

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