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Empresas europeias usam pandemia para vender negócios indesejados

Muitas vendas têm atraído um forte interesse de investidores de private equity, que têm 1,5 biliões de dólares disponíveis em caixa, uma quantia sem precedentes.

Bloomberg 05 de Julho de 2020 às 14:00
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Do chá preto à água engarrafada, as empresas europeias estão a analisar atentamente negócios com fraco desempenho, numa altura em que as expectativas de lucro dos investidores já são baixas devido à pandemia de coronavírus.

Com economias abaladas e a covid-19 ainda a avançar em várias partes do mundo, executivos no comando têm contratado banqueiros de investimento ou realizado análises internas para rever portefólios e vender negócios indesejados.

"Os investidores já descontaram completamente 2020, mas esperam uma história impecável para 2021 e 2022", afirma Adam Young, responsável global por mercados de capitais da consultora Rothschild.

Empresas de private equity como a KKR e a Blackstone estão a preparar ofertas pela unidade de chá da Unilever, um negócio que pode render mais de 5 mil milhões de libras (5,5 mil milhões de euros), revelam pessoas a par dos planos, em declarações à Bloomberg News.

Chá Lipton

A gigante de bens de consumo lançou uma estratégia de revisão da unidade em janeiro, quando o coronavírus se propagava pela província chinesa de Hubei. Na época, o CEO Alan Jope descreveu o negócio, que inclui marcas conhecidas como Lipton e PG Tips, como "um obstáculo estrutural ao crescimento da Unilever".

Na mesma linha, a Nestlé está a avaliar a venda do seu negócio de água engarrafada no mercado de larga escala dos EUA, que inclui as marcas Poland Spring e Pure Life. Globalmente, esta divisão teve o pior desempenho da última década no ano passado e a unidade dos EUA, em particular, sentiu a concorrência de marcas mais baratas e a relutância de consumidores em comprar embalagens de plástico.

Hora de agir

"Agora, o pensamento geral nos conselhos é que a inação não é uma opção", disse Rich Mills, chefe global de desinvestimentos da Ernst & Young.

Quase um terço das empresas que estão a vender unidades estão também dispostas a aumentar os ativos disponíveis para compra para obter os recursos de que precisam para investir novamente, disse Mills, coautor do relatório de 2020 da empresa de consultoria sobre desinvestimentos corporativos globais, baseado em estudos online com mais de mil executivos antes e depois do início da pandemia.

Muitas vendas têm atraído um forte interesse de investidores de private equity, que têm 1,5 biliões de dólares disponíveis em caixa, uma quantia sem precedentes, segundo o estudo.

Na segunda-feira, a BP fechou acordo para vender sua unidade de produtos químicos para a Ineos por 5 mil milhões de dólares, no âmbito da sua transição para deixar de ser uma empresa tradicional de petróleo e fortalecer as finanças, devido à pressão crescente causada pela crise de coronavírus.

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