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Empresas brasileiras unidas afastam estrangeiros da pasta e papel

As rivais Votorantim e a Suzano uniram esforços para assegurar em mãos brasileiras o controlo da Ripasa, empresa do sector de pasta e papel, deixando para trás as ofertas das estrangeiras Stora Enso e da International Paper.

Bárbara Leite 12 de Novembro de 2004 às 14:48
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As rivais Votorantim e a Suzano uniram esforços para assegurar em mãos brasileiras o controlo da Ripasa, empresa do sector de pasta e papel, deixando para trás as ofertas das estrangeiras Stora Enso e da International Paper.

Numa negociação relâmpago, que durou 48 horas, a Suzano Bahia Sul, empresa que foi parceira da Sonae no capital da Portucel, e a Votorantim Celulose e Papel uniram-se numa parceria inédita e fecharam a compra da Ripasa por 720 milhões de dólares (558 milhões de euros).

A Ripasa produziu, entre Janeiro e Setembro, 738 milhões de toneladas de pasta e papel, com receitas nos primeiros nove meses de mil milhões de reais (275 milhões de euros). A companhia tem ainda quatro unidades fabris e 98,7 milhões de árvores plantadas em 86,4 milhões de hectares.

A base florestal da Ripasa despertou o interesse dos grupos estrangeiros, além do baixo custo de produção da pasta. Os fabricantes brasileiros desenvolveram uma tecnologia de extrair celulose a partir de eucaliptos que demoram sete anos para crescer e entrarem no processo produtivo, cerca de cinco anos a menos do que acontece na produção no hemisfério norte.

A Suzano, a International Paper e a Stora Enso estiveram em negociações durante quatro meses para a compra da Ripasa. Na terça-feira, o processo mudou de rumo, quando surgiu a Votorantim nas propostas, tendo em conjunto à Suzano apresentado uma proposta irrecusável aos accionistas da Ripasa, segundo o jornal «Valor Económico».

A parceria inédita é vista como um passo de luta pelo sector em mãos brasileiras. A finlandesa Stora Enso, que estve interessada na privatização da Portucel, actua no Brasil em parceria com a Aracruz num projecto no sul da Baía que deverá estar prestes a ser concluídos e a norte-americana IP está em território brasileiro desde a década de 50.

As empresas brasileiras vão manter as unidades produtivas da Ripasa independentes e dividir em partes iguais a produção do novo activo.

No segmento de papel não revestido, a Suzano e a Votorantim passam a acumular uma quota de 33%, cada uma, igual à da IP e no papel revestido, a Votorantim sobe para 54% do mercado e a Suzano para 40%. Ou seja, juntas terão 95% do mercado de papeis revestidos. Facto que preocupa a associação de gráficas no Brasil, alertando para os perigos de aumento dos preços com este processo de concentração.

*Correspondente em São Paulo

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