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Bloomberg: Esquema de manipulação na Volkswagen era controlado a partir da Alemanha

Winterkorn saiu da empresa, referindo que não sabia de nada. A empresa acabou, horas depois, por confirmar a posição. Mas o esquema de manipulação de emissões teria Wolfsburg como cérebro, avança a Bloomberg.

Bloomberg
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 25 de Setembro de 2015 às 16:44
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Wolfsburg não só sabia que a Volkswagen estava a manipular os testes de emissões em veículos com motor Diesel nos Estados Unidos da América como controlava "aspectos cruciais" dessa operação. Quem o avança é a agência Bloomberg, que cita fontes próximas da operação da companhia em território americano.

Deste modo, acentua-se a ideia de que a fraude terá sido montada a partir da sede da Volkswagen na Alemanha, com o conhecimento de executivos de topo. O agora ex-CEO Martin Winterkorn apresentou a sua demissão esta quarta-feira, 23 de Setembro, referindo não saber de nada e não ter qualquer culpa neste caso. A posição foi mais tarde reforçada pela comissão executiva da empresa.

A Bloomberg concretiza que o acompanhamento da manipulação era constante por parte de Wolfsburg, também por não haver uma equipa de engenharia em território americano capaz de criar o mecanismo que permitiu falsificar os resultados das emissões nos veículos movidos a gasóleo.


Esta notícia torna mais fortes os rumores que dão conta da demissão de altos executivos da fabricante automóvel. Os actuais responsáveis de desenvolvimento da Audi, Ulrich Hackenberg, e da Porsche,Wolfgang Hatz, são apontados como os primeiros nomes a cair.


Espera-se, a qualquer momento, que a Volkswagen anuncie o nome do seu novo CEO. Matthias Müller, o CEO de Porsche, é apontado como o nome mais forte. Com 62 anos e quatro décadas na empresa, goza do apoio da família que controla o grupo automóvel.

 

Impacto na Alemanha foi seis vezes maior do que nos Estados Unidos

Primeiro, o ministro dos Transportes alemão, Alexander Dobrindt, revelou que as manipulações da Volkswagen não tinham sido um exclusivo americano. 


Esta sexta-feira, 25 de Setembro, mais desenvolvimentos: 2,8 milhões de carros Volkswagen com motores Diesel foram afectados na Alemanha. Para este mesmo dia, a fabricante prometeu divulgar a lista completa de modelos e países onde foram vendidos.


O balanço de veículos afectados em território alemão é seis vezes maior ao dos Estados Unidos. A Volkswagen já tinha admitido que o "dispositivo manipulador" poderá ter sido instalado em até 11 milhões de veículos em todo o mundo.


Mas há mais: Dobrindt acrescenta que "agora também há uma discussão sobre os carros com motores de 1.2 litros estarem afectados". Até ao momento acreditava-se que o problema afectaria apenas motores 1.6 e 2.0. As carrinhas de transportes também poderão ter sido alvo deste esquema.


Entretanto, a Comissão Europeia voltou a apelar aos 28 Estados-membro para que dêem início a investigações de âmbito nacional neste caso. Bruxelas pede "tolerância zero e um cumprimento estrito das regras" sobre emissões poluentes, para que os níveis de poluição permitidos sejam "escrupulosamente respeitados".


Também a Environmental Protection Agency (EPA), que está a investigar o caso nos Estados Unidos, deu uma conferência de imprensa sobre o escândalo da Volkswagen. Além das alterações nos modelos de testes às emissões, a agência norte-americana alertou que o grupo automóvel poderá enfrentar "multas enormes". Os primeiros balanços apontam para os 16 mil milhões de euros.

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