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Escândalo Volkswagen: Uma manhã calma. Vem aí bomba?

Não há ainda “fumo branco” na reunião decisiva quanto ao futuro da Volkswagen. A manhã desta sexta-feira, 25 de Setembro, foi calma em fluxo noticioso. A tarde promete inverter a tendência.

Reuters
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 25 de Setembro de 2015 às 14:32
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A reunião do Conselho de Administração da Volkswagen prolongou-se. À mesa, 20 membros e uma longa lista de problemas para resolver. Do encontro deverá sair o novo CEO do grupo, depois da saída de Martin Winterkorn.


Matthias Müller, actual CEO da Porsche, é apontado como a hipótese
mais provável. Com 62 anos, trabalha no grupo há quatro décadas e conta com o apoio da família que controla a Volkswagen. Mas a lista tem outras opções.


O relógio passa mais devagar porque a administração estará também a analisar uma nova estrutura corporativa, escreve a Reuters. A lista completa dos carros afectados e onde foram vendidos é também uma promessa para esta sexta-feira, 25 de Setembro.


São esperadas também demissões. Quase certa é a saída de Michael Horn, presidente da Volkswagen America, país onde rebentou o escândalo. Através do Twitter, Horn já veio pedir desculpa pelo sucedido.


A fabricante automóvel reconheceu ter manipulado os testes de emissões de veículos com motores a diesel (isto é, movidos a gasóleo).Nos testes de laboratório, os níveis de emissão cumpriam as regras. Na estrada, os níveis de poluição podiam ser 40 vezes superiores ao permitido. O "dispositivo manipulador" terá sido instalado em 11 milhões de carros.

 

Winterkorn sai (mas não completamente?)

A notícia passou despercebida, mas a imprensa alemão escreveu que o agora ex-CEO da Volkswagen poderá não perder completamente as ligações ao grupo automóvel.


Martin Winterkorn terá intenções de se manter na administração da Porsche Automobil Holding, que controla maioritariamente a Volkswagen. O cenário não está a ser bem recebido no seio da empresa, falando-se em "conflito de interesses".


A Bloomberg escreveu já que o gestor poderá ter uma reforma na ordem dos 28 milhões de euros.

 

Pedido de desculpas espanhol

Os pedidos de desculpa multiplicam-se. A Seat, filial espanhola da Volkswagen, já veio pedir desculpa aos consumidores por ter instalado motores com dispositivos que permitem manipular os níveis de emissões de gases poluentes.


A Seat diz ainda que está a fazer a contagem dos motores diesel EA 189 e que "ainda é muito cedo para saber a extensão" do problema. À EFE, fontes da companhia referiram que esta gama de motores foi amplamente utilizada.


Tanto o presidente da Seat como o Governo espanhol já vieram garantir que se mantêm os investimentos e empregos ligados à presença da Volkswagen naquele país.


Noutros pontos do globo, Noruega, Índia e Brasil informaram que vão avançar com investigações. França diz terem sido vendidos 1,07 milhões de carros manipulados no país.


A Associated Press escreve que a Environmental Protection Agency, agência que está a investigar o caso nos Estados Unidos, deverá anunciar esta sexta-feira mudanças na forma como são feitos os testes às emissões poluentes. Para além dos testes em laboratórios, estarão também previstos os testes em estrada, para determinar discrepâncias nos níveis de poluição.


As autoridades norte-americanas estão ainda a analisar se outras fabricantes automóveis não terão também manipulado os níveis de emissões.

 

Apoio alemão (e mais uma novidade)

Foi o ministro dos Transportes alemão, Alexander Dobrindt, quem avançou que a Volkswagen tinha manipulado os testes de emissão também na Europa. Agora, o político acrescentou que o escândalo também poderá afectar carrinhas de transporte do grupo.


O Executivo alemão, através de várias figuras políticas, mantém firme o seu apoio à indústria automóvel, um dos pilares do país. BMW e Mercedes já vieram reforçar que não manipularam testes, depois de notícias que apontavam em sentido contrário.

 

A nuvem chegou a Portugal

O assunto está também a fazer correr tinta em Portugal. "Os veículos produzidos em Portugal não tiveram a incorporação deste kit fraudulento", assegurou o ministro da Economia português, António Pires de Lima, quanto à produção da fábrica da Volkswagen Autoeuropa em Palmela.


Outra das garantias foi de que o investimento de 900 milhões de euros previsto para a Autoeuropa, e que permitirá dotar a unidade de tecnologia para produzir novos modelos, não está em causa.


Após a reunião de Conselho de Ministros desta quinta-feira, Pires de Lima acrescentou que o Governo está a trabalhar com o IMT, o regulador, para perceber se haverá alguma implicação da fraude no país.

Ao jornal i, a Associação de Defesa do Consumidor (DECO) defendeu que caberá ao Governo português pedir uma indemnização ao grupo pelos carros vendidos com equipamento fraudulento.


Já a ANECRA, em declarações ao Jornal de Notícias, admite ter ouvido falar de oficinas em Portugal onde se retiram filtros de carros a diesel. O esquema permite poupar nos custos de manutenção desses automóveis.

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