Mercados Estado encaixa 157 milhões com privatização da REN pouco concorrida por pequenos investidores

Estado encaixa 157 milhões com privatização da REN pouco concorrida por pequenos investidores

A CGD encaixa mais de 15 milhões com a venda de 1,1% do capital e a Parpublica recebe mais de 141 milhões de euros. A procura dos investidores institucionais garantiu a oferta, que fica marcada pela fraca procura dos investidores no retalho.
Estado encaixa 157 milhões com privatização da REN pouco concorrida por pequenos investidores
Miguel Baltazar/Negócios
Nuno Carregueiro 13 de junho de 2014 às 13:27

O Estado vai encaixar cerca de 157 milhões de euros com a venda de 11% do capital da REN, sendo que o preço das acções na oferta pública de venda foi fixado em 2,68 euros.

 

A Parpublica receberá 141,7 milhões de euros com a venda de 9,9% da gestora da rede eléctrica, sendo que a Caixa Geral de Depósitos realizará um encaixe de 15,7 milhões de euros com a alienação da posição de 1,1% que detém na REN. Estes cálculos não contemplam o desconto de 5% no preço de venda aos trabalhadores (2,546 euros), já que não é ainda conhecido o número de acções que estes subscreveram.

 

Num comunicado ao mercado, a REN anunciou que o preço de venda das acções na OPV e na venda directa a institucionais foi fixado em 2,68 euros. Este valor resultou das ofertas dos investidores institucionais. No prospecto da operação tinha sido definido que o preço de venda dos títulos seria o menor entre o preço da venda a institucionais e a cotação média das últimas cinco sessões até ao final da OPV, ponderada pelo volume negociado e acrescida de um prémio de 5%. Caso fosse esta última opção a determinar o preço de venda, os investidores teriam de pagar cerca de 2,88 euros pelos títulos.

 

O encaixe com a venda dos últimos 11% da REN nas mãos do Estado contrasta com as receitas geradas pelas fases de privatizações anteriores. Em 2007, quando colocou a REN em Bolsa, o Estado alienou 19% da empresa, tendo gerado um encaixe de 275 milhões de euros ao vemder cada acção a 2,75 euros.

 

Em 2012, a State Grid pagou 2,90 euros por acção, dando um encaixe total de 387,15 milhões de euros pela venda de 25% estatais. Já a Oman Oil, que ficou com 15%, pagou 2,56 euros por acção, num valor total de 205,06 milhões. Ao todo, a operação ficou avaliada em 592 milhões de euros, tendo estes dois accionistas pago um prémio de 33% face à cotação da altura.

 

Em 2014, o Estado vai alienar cada acção da REN a um valor inferior ao das últimas privatizações e a desconto face à cotação actual. Mas isto considerando apenas a evolução do valor das acções no mercado de capitais. É preciso recordar que a REN paga dividendos elevados. Nestes sete anos, a empresa depositou 210 milhões de euros nos cofres públicos.

 

A Gestmin, que admitiu reforçar a sua posição nesta última fase de privatização, é hoje o quarto maior accionista privado da REN, atrás da State Grid of China (25%), da Oman Oil (15%) e da EGF (7,8%). Esta última, do empresário Filipe de Botton, já anunciou que irá sair do capital da REN. Uma operação que poderá aumentar o "free float" da empresa, que após esta fase de privatização é agora de 30%.

 

Fraca procura no retalho

 

No comunicado onde informa o preço de venda das acções, a REN dá conta da divisão da venda dos títulos entre retalho e institucionais, ganhando destaque o facto de a procura na operação dirigida aos pequenos investidores não ter superado a oferta.

 

Para a OPV no retalho estavam destinadas 11.748.000 acções da REN, sendo que a procura ascendeu a apenas a 10.047.680 acções (1,88% do capital). Desta forma foram colocadas 48.692.320 acções (9,12% do capital) junto dos investidores institucionais, quando a oferta previa para esta tranche apenas 46.992.000 títulos. Este mecanismo de comunicação entre as duas tranches estava previsto, sendo normal neste tipo de operações.

 

Registou-se assim uma fraca procura pelos pequenos investidores numa oferta que esteve no mercado menos de duas semanas e durante um período marcado por vários feriados.

 

"Considerando que na venda directa institucional se verificou um excesso de procura e que na Oferta Pública de Venda não foi colocada a totalidade das acções previstas, as acções da REN não colocadas na Oferta Pública de Venda são realocadas para a venda directa institucional e aí alienadas", refere o comunicado enviado ao regulador.

 

A sessão especial de bolsa onde serão divulgados todos os resultados da oferta acontecerá na segunda-feira e a 17 de Junho as novas acções deverão ser admitidas à negociação.

 

 
Estrutura accionista da REN após privatização
State Grid 25%
Oman Oil 15%
EGF (antiga Logoplaste) 8,40%
Gestmin 5,90%
EDP 5%
Oliren 5%
REE 5%
Acções Próprias 0,70%
"Free float" 29,90%

 




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