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Estado devolve Portucel ao mercado

A Portucel é a primeira empresa deste século a ser privatizada na integra, com o abandono total da participação do Estado na estrutura accionista da papeleira, na qual o Governo já não tinha assento na administração, por opção própria.

A Portucel é a primeira empresa deste século a ser privatizada na integra, com o abandono total da participação do Estado na estrutura accionista da papeleira, na qual o Governo já não tinha assento na administração, por opção própria.

A cerimónia de sessão especial de bolsa da Portucel marcou ontem a passagem do universo público para a esfera privada, em que a Semapa é o accionista de referência com mais de 68%.

Invocando razões de interesse público para justificar a manutenção da presença do Estado em algumas empresas, como a Galp Energia, o ministro das Finanças defendeu ontem a privatização total da Portucel com a "necessidade de devolver a empresa ao mercado, que a pode valorizar".

Teixeira dos Santos felicitou a gestão de Pedro Queiroz Pereira (PQP), que lidera a Semapa, dizendo que o mercado reconheceu e valorizou a empresa. O diferendo que tiveram acerca da aprovação do prospecto da OPV foi ontem rejeitado pelas duas partes.

De acordo com PQP, a empresa valorizou cerca de 50% desde 2004, altura em decorreu a segunda fase de privatização da Portucel e em que Semapa se tornou o accionista de referência. No âmbito da terceira fase de reprivatização, a empresa de Queiroz Pereira voltou a reforçar a participação na Portucel, agora em cerca de apenas 1%.

"Este reforço foi apenas para marcar a participação nesta operação que consideramos crucial para o desenvolvimento da empresa", declarou Pedro Queiroz Pereira aos jornalistas, à margem da sessão especial de bolsa.

Ainda assim, a Semapa mantém o objectivo de reduzir de 68% para 51% a posição no capital da Portucel, segundo o presidente da empresa. PQP reiterou ontem o interesse em diminuir a participação "em momento oportuno, que considerámos não ser agora e nem vai ser este ano".

Para o accionista de referência da Portucel, neste momento, "a questão mais importante para a vida da empresa é a atribuição dos incentivos comunitários" aos projectos de investimento que integram o pacote de mais de 900 milhões. Caso Bruxelas venha a chumbar os apoios aos dois projectos notificados, a Semapa admite que terá de reavaliar o conjunto dos investimentos.

"Se houver uma alteração do que está previsto teremos de fazer uma reanálise", declarou PQP, salientando que "cabe agora ao Governo, através da API, a condução deste tão importante processo, uma vez que é muito importante que a Comissão Europeia venha a despachar favoravelmente estes incentivos que estão a analisar".

"Aguardamos ansiosamente uma decisão positiva para avançarmos com o projecto, para mantermos o sucesso desta empresa", afirma o presidente da Semapa.

Entram 359 accionistas estrangeiros

Com a alienação da participação de 25,72% do Estado, a Portucel ganhou mais 23.242 accionistas entre os quais 180 da União Europeia e 179 do Resto do Mundo, de acordo com os números divulgados pela Euronext Lisbon na sessão especial de bolsa para apuramento dos resultados da Oferta Pública de Venda (OPV).

Hoje são admitidas à negociação 145,4 milhões de novas acções da papeleira, adquiridas no segmento do público em geral.

Ao preço de fecho das acções de ontem, a capitalização bolsista da empresa liderada pelo grupo Semapa atinge os 1.757 milhões de euros, o que leva a Portucel ao 12º lugar na lista das empresas que compõem o PSI-20, atrás da Jerónimo Martins e à frente da Sonaecom.

No dia 15 de Fevereiro serão admitidas à negociação mais 52 milhões de acções adquiridas nos segmentos dos trabalhadores e pequenos subscritores que beneficiaram de um desconto adicional de 5% mas que não podem ser transaccionadas nos próximos três meses.

Com a dispersão em bolsa alcançada a Portucel torna-se elegível a integrar o principal índice nacional, o que não acontecia até agora devido ao reduzido "free-float" da empresa, quase toda nas mãos do Estado e da Semapa.

A dispersão em bolsa da Portucel era de 3,11%, antes da privatização agora passa a ser superior a 30%.

Ontem, o Santander anunciou, em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a alienação da participação de 2,95% que os seus fundos de pensões detinham na papeleira. A venda desta participação foi feita em bloco no passado dia 9 de Novembro, ao preço de 2,10 euros por acção, apurou o Jornal de Negócios junto de fontes do mercado.

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